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O Uso do Corpo
Esta transcrição é um segmento
de um diálogo entre o Orador e um estudante de Um Curso Em Milagres.
O foco desta conversa é o tópico da comunicação
e o uso do corpo pelo ego e pelo Espírito Santo.
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Orador: Apesar do fato de que o corpo irá enguiçar
e degenerar e nunca será imortal, e ser muito temporal e transitório
como qualquer outra coisa no cosmos projetado, a mente tem um grande
investimento ao tentar torná-lo um bom lar. Conseqüentemente
se é visto de forma que eu posso fazê-lo viver mais exercitando
e comendo as coisas certas, se posso fazê-lo mais confortável
fazendo essas coisas, eu farei. Mas o outro lado é que há
uma forte identificação e crença no corpo. O corpo
nesta perspectiva não é visto como nada. É visto
como alguma coisa e é por isso que a grande busca pela saúde
está no lugar errado. A saúde pode, na verdade, ser descrita
como paz interior, à medida que a mente se desapega do julgamento,
da ordenação dos pensamentos; a mente que alcança
a verdadeira percepção, uma percepção mais
estabilizada, é uma mente em paz. Esta é uma mente que
verdadeiramente está curada e é verdadeiramente saudável.
Estudante: Então até mesmo considerar
o corpo como um instrumento que o Espírito Santo usa, eu tenho
que me referir a esse corpo como nada. Eu acho que há aquela
armadilha de pensar que porque ele vai ser usado pelo Espírito
Santo, isto é de alguma forma alguma coisa. Então, eu
tenho que cuidar dele de uma certa maneira. Eu sou responsável
pelo tipo de comida que ponho nele e os exercícios que forneço
a ele, etc, etc. É como se eu estivesse dizendo, ‘este
é um templo do Espírito Santo’, então eu
tenho que referir a ele com respeito e isso significa isto, aquilo e
aquilo outro. É somente quando ele pode ser visto como nada que
ele pode ser revertido e realmente usado pelo Espírito Santo.
Orador: Sim, existe uma armadilha sutil de negar o
corpo. Quando nós falamos do corpo como nada, está num
sentido muito profundo e extremo daquilo que ele verdadeiramente é.
O Curso não nos pede para negar a percepção do
corpo. A forma mais útil de chegar a isso com um sentido de propósito,
ou com a questão “Para que?”. Para que serve isso?
Isto nos leva de volta ao nível da mente. O que é útil
aqui é entrar no Curso e olhar para os propósitos do ego,
então o corpo se torna mais e mais secundário na consciência.
Ele se aproxima do nada.
Estudante: Então, nunca há uma necessidade
de focar no corpo. A coisa a fazer é simplesmente focar no propósito
e o resto irá se encaixar no lugar de acordo. O modo de chegar
no ponto de se considerar o corpo como nada é focando no propósito.
Orador: Sim. A idéia que você trouxe sobre
o corpo como um templo é uma coisa importante. É considerado
o templo do Espírito Santo no Bíblia. Este é um
ponto de partida, uma pedra fundamental. Este é um passo distante
de fazer com que o corpo seja mau. Uma coisa é chamar o corpo
de irreal ou nada, mas o ego tomaria o passo para dizer que o corpo
é mau. Ao dizer que ele é um templo para o Espírito
Santo está dizendo que pode ser usado para o propósito
do Espírito Santo. Nesse sentido, e somente nesse sentido o corpo
é um templo. Não tem anda a ver com o corpo em si ou por
ele mesmo. Tem a ver com aquela intenção, aquele propósito
da mente. Poderíamos dizer que o corpo é usado somente
para a comunicação é um corpo que está sendo
usado pelo Espírito Santo.
Estudante: Então chegamos na discussão
da comunicação. Comunicação não é
necessariamente aquilo que eu fui educado a acreditar que é.
Não precisa incluir dois corpos.
Orador: Sim.
Estudante: Ela acontece no nível da mente e
é o único lugar onde a comunicação ocorre
é no nível da mente. Então, para que eu preciso
de um corpo para comunicar se somente ocorre no nível da mente?
Orador: Cada mente que parece acreditar no mundo, acredita
na separação e no corpo. Ela acredita que a comunicação
foi limitada para que a comunhão ou comunicação
da mente, até mesmo telepatia... você poderia dar a isso
vários nomes diferentes... foi bloqueada, arrancada da consciência.
Então o corpo foi literalmente imposto como um limite na comunicação.
Neste mundo parece que se dois corpos não estão juntos,
que a comunicação é limitada. Eles não podem
se falar senão usam um telefone ou walk talk ou algum tipo de
auxílio. Você precisa de auxílio material para ajudar
na comunicação. Mas, em última instância,
estamos de volta à crença onde se acredita no corpo...
onde se acredita no mundo... o mundo é um limite na comunicação.
O mundo foi feito para se defender da comunicação porque
o Espírito Santo é o nosso elo de comunicação
com o Pai, e o mundo foi feito para encobrir isso. Então o Espírito
Santo tem que trabalhar com a mente inferior e as crenças. À
medida que a mente se desapega de suas crenças no mundo, parece
que gradualmente os poderes da mente estão retornando para ela;
telepatia, clarividência e intuições e assim por
diante, parecem ser mais predominantes para a mente, quando na verdade
a mente está simplesmente retornando à sua condição
natural. Não existem super poderes que indivíduos raros
possam desenvolver. Esses poderes são exatamente a comunicação
natural...
Estudante: Então a comunicação
sempre está aí, sempre esteve aí, mas está
encoberta? Existe apenas uma inconsciência.
Orador: Sim, é um grande investimento no corpo
que faz isso. O corpo é o lar escolhido para a mente equivocada.
Então voltamos ao propósito, onde a comunicação
é a principal função ou o propósito para
o corpo do Espírito Santo, o ego o usa para o orgulho, prazer
e ataque. Esses são propósitos diferentes que na verdade
restringe a comunicação.
Estudante: Então mesmo antes de entrar no orgulho,
prazer e ataque do uso ego para o corpo, para completar o que estávamos
dizendo sobre o uso do corpo pelo Espírito Santo... Minha pergunta
é se a comunicação está somente no nível
da minha mente, então o Espírito Santo usa o corpo para
comunicação. É somente a crença no corpo
que faz o corpo entrar na comunicação em absoluto.
Orador: Sim. Não existem corpos no Instante
Santo. A Revelação está além dos corpos.
É comunicação direta de Deus para a criação
de Deus. À medida que a mente desiste de suas falsas idéias,
crenças e julgamentos ela é atraída para o Instante
Santo onde a comunicação é completamente restaurada.
De certa maneira corpos são como símbolos. O Espírito
Santo alcançará a mente de qualquer maneira que Ele possa.
Pode ser através da voz de um amigo, uma canção
ou um outdoor, uma letra de música e assim por diante. Existem
muitas maneiras e formas. Mas neste sentido, o corpo é um símbolo.
O Espírito Santo está usando símbolos para alcançar
a mente equivocada porque a mente equivocada acredita em símbolos.
Num sentido metafórico... conforme no movemos adiante e ficamos
cada vez mais esclarecidos e somos capazes de nos alinhar com o propósito
do Espírito Santo... somos solicitados a alcançarmos nossos
irmãos que acreditam no mundo, que acreditam no tempo e separação,
e alcançá-los usando símbolos que eles possam ouvir
e que possam entender. Mais uma vez, nós temos Jesus que foi
um grande exemplo disso. Ele falou em parábolas quando ele falava
para as massas e falava de idéias e conceitos elevados particularmente
com os apóstolos e discípulos e aqueles que tinham ouvidos
para ouvir. Mas, em ambos os casos usava o Espírito Santo falando
através dele usando símbolos para alcançar a mente
onde ela pudesse entender. Você também tem exemplos de
Jesus se afastando para entrar no silêncio, na comunicação
com o Pai onde nenhuma palavra era dita. Aqui nós temos uma variedade
de comunicação com palavras, que ainda é muito
grosseira... mas, conforme as crenças são liberadas na
mente, nós voltamos para a Comunhão que é totalmente
sem palavras.
Estudante: Vamos voltar para o uso do corpo pelo ego.
Seu uso são para o orgulho, prazer e ataque. Você quer
falar sobre isso?
Orador: Nós podemos pegar um por vez. Orgulho
é um assunto sobre o qual estávamos falando ontem, a divisão
de sujeito / objeto, ou a crença na personalidade. Todo o orgulho
realmente é uma tentativa desesperada para a manter a crença
na personalidade, do ser uma pessoa individual e de fato percebendo
outros indivíduos. Isto mantém aquela divisão entre
o ser e o outro na mente. Isso reforça essa divisão. Num
sentido de chamar atenção para si mesmo, orgulho em realizações,
orgulho no corpo físico, aparência, país, times
esportivos, família... muitas coisas no mundo que são
consideradas muito boas.
Estudante: Fale sobre orgulho espiritual.
Orador: Orgulho espiritual seria ter orgulho naquilo
que se sabe... em transformar a jornada espiritual em um livro - uma
característica de aprendizado ou demonstração de
aptidões. Mas ainda por baixo disso há um motivo para
chamar atenção para o pequeno ser, para a personalidade.
Esta é uma armadilha muito sutil. Com muitas pessoas que trabalharam
para se desapegarem da crença na separação na mente...
habilidades psíquicas começaram a surgir... telepatia
ou levitação ou psicoquinesia, diferentes tipos dos aparentes
poderes. Mas a mente pode se agarrar nisso e dizer, ‘Olhem para
mim! Olhem o que eu posso fazer!’. Mas este ‘eu’ ainda
é o pequeno eu, o eu pessoal. Você poderia ter isso no
sentido de se tornar um orador, ou um dirigente de workshop, um curador.
Quando isso se torna personificado, quando a mente se identifica com
a pessoa como sendo o foco disso, esse eu sou o curador ainda está
direcionando a atenção para si mesmo. Não está
fazendo como Jesus fez, apontando para o Céu e dizendo, ‘É
o Pai, não sou eu quem fala. Não sou eu a fonte da cura,
mas o Pai no céu.’ Ele sempre apontou para o Pai, sempre
tomando o segundo lugar, sempre ‘Eu sou a criação,
o Pai o Criador.’ Este é o senso da verdadeira humildade
de uma mente que sabe o que ela é. Ela sabe qual é a sua
fonte e não está tomando o papel do pino central de ser
o centro do universo no sentido pessoal do ser no pensamento da forma
como sendo o centro. Ele sempre aponta para o Pai. O orgulho espiritual
pode vir de várias maneiras, formatos e forma. Poderia vir com
um grupo onde existe uma identidade que é, ‘Nós
temos o caminho, nós conhecemos o caminho. O resto do mundo não
conhece.’ Esta é uma outra armadilha espiritual entre muitas
que ainda tentam se identificar com o pequeno ‘eu’, um ser
pessoal.
Prazer. O prazer é parte do mundo da dualidade. Você pode
falar do prazer e da dor, são dois extremos. Ambos são
igualmente irreais e ambos são defesas contra a verdade naquilo
que ambos são técnicas úteis para o ego convencer
a mente que o corpo é real e para manter a identidade do corpo.
A mente pode perceber a carne ou reconhecer o espírito, mas ou
é um ou o outro. São mutuamente exclusivos na consciência.
Então perseguir o prazer é um dispositivo para distrair
e um dispositivo que realmente prende a mente na crença de que
o corpo é real. Parece muito atrativo que é isso que o
Curso se refere como a ‘atração à culpa’.
A mente equivocada não equipara a culpa e o prazer. Prazer é
visto como algo desejável, algo para ser perseguido e algo bom.
Muitas vezes você vai ouvir, ‘Deus quer que você se
divirta. Faça parte do cardápio do mundo. Aprecie a variedade
e os temperos e os muitos prazeres do mundo.’ Mas, da perspectiva
metafísica, em primeiro lugar Deus é espírito.
Deus não conhece o mundo físico projetado. Deus só
conhece Suas Criações ou Sua Criação que
é o Seu Filho, e Ele o conhece perfeito. Este é um relacionamento
abstrato, infinito e puro que não tem nada a ver com a forma
de jeito nenhum. Então, quando nós chegamos ao ego usando
o corpo para o prazer... a perseguição do prazer e a evitação
da dor... basicamente a mente é inconsciente que eles são
a mesma coisa, que ao perseguir o prazer está também perseguindo
a dor. O prazer é um disfarce.
Estudante: E ambos atuam como um substituto de Deus.
Orador: Sim. Nós falamos sobre a perseguição
da riqueza neste mundo e a crença na pobreza e na falta no sentido
material. Essas são as muitas formas do mesmo tipo de divisão,
do mesmo disfarce. Que se eu sou pobre e carente e este é um
mundo de escassez, que eu posso almejar por um dia melhor ou tempos
melhores e mais posses e uma vida mais fácil, por assim dizer.
Ou aqueles que de fato parecem acumular ou construir as coisas do mundo
que se espera que tragam a boa vida, ainda sentem a dor e a angustia
e a depressão. Nós ainda achamos a mesma coisa, que a
mente está buscando a felicidade, paz e contentamento no mundo.
É simplesmente a busca no lugar errado. Está na mente
e no deixar partir as falsas crenças, onde a paz, contentamento
e felicidade vêm. Então esta é uma rápida
olhada no prazer.
Ataque é algo que é muito importante como uma defesa contra
a verdade. É uma testemunha de que a separação
ocorreu. Para enxergar verdadeiramente que a separação
é impossível parece estar distante ou em conflito com
o que os olhos do corpo mostram porque conforme se olha em volta através
dos olhos do corpo e a percepção distorcida, se vê
o ataque em muitas formas diferentes; ataque verbal, ataque físico,
armas, tanques, bombas, revólveres, facas, brigas e discussões
em todas as áreas e níveis. Parece um mundo onde o ataque
é uma experiência comum. Mas, a mente não pode atacar,
a mente é abstrata, ela é uma. Ela só pode inventar
fantasias de corpos onde o ataque parece real. Enquanto o ego usa o
corpo para o ataque e é uma fantasia de ataque, isso definitivamente
faz a culpa parecer real, que se o ataque é percebido como real
a culpa é justificada. E se a culpa é justificada como
alguém pode ser inteiramente inocente? Como alguém pode
ser a criança inocente de Deus como ele foi criado?
Estudante: Então você está dizendo
que é fantasia porque é tudo fingimento e invenção?
Orador: Sim, é inventado. Está somente
na tela. A mente equivocada quer ver o conflito, não na mente,
mas no mundo. Sob o conselho do ego, a mente irá procurar isso
no mundo. Agora, isto não é dizer que as guerras ou esportes
ou um abuso verbal é mau ou ruim. Somente a interpretação
tem que ser olhada. A mente curada pode olhar calmamente sobre qualquer
cena no mundo. Os olhos do corpo irão reportar para a mente mudanças
nas circunstâncias, mudanças na aparência das coisas,
tais como com os sintomas e assim por diante. Mas, uma mente curada
simplesmente coloca tudo isso em uma categoria; que eles são
irreais. Você tem que ter uma idéia metafísica clara
do porque isto é assim, do porque a doença deve ser impossível,
do porque a competição não pode estar no mundo,
do porque não pode haver vítimas e vitimizadores no mundo,
isto tudo está na mente, isto tudo está na divisão
do sujeito / objeto. Para finalizar o assunto de que o ego usa o corpo
para o orgulho, prazer e ataque... são tudo a mesma coisa. Orgulho
e prazer são formas aparentes do ataque.
A mente que acredita que é um ego, que se identifica com o ego...
isto é um pensamento de ataque, isto é um ataque ao Cristo
dentro daquela mente. Embora não tenha base na realidade, é
dada a realidade pela aceitação da mente daquele pensamento,
dentro daquela estrutura. Para a mente, parece real. Todos esses usos
do corpo, para o prazer ou reconhecimento do ser pessoal ou para o prazer
e assim por diante... é tudo atração à culpa.
Isso tudo é um jeito de esconder a crença na mente, a
crença na separação, e manter a mente distraída
na tela. Neste sentido, são pensamentos de ataque. O uso que
o ego faz do corpo, é tudo parte de pensamentos de ataque. Agora,
se voltarmos para a última instância, para a percepção
da mente certa, a mente não pode atacar. Esses pensamentos são
pensamentos irreais, até mesmo esses pensamentos que são
chamados de ‘pensamentos de ataque’ no livro de exercícios,
são pensamentos irreais. Esses são pensamentos que não
vieram da mente de Deus. Eles não existem, somente os pensamentos
que vêm de Deus têm existência.
Estudante: Então, falar de pensamentos de ataque
é apenas uma maneira de falar?
Orador: Sim. Eles são irreais. Uma mente que
investe neles é equivocada e vivenciará alucinações
de dor e aborrecimento e desespero e mágoa e depressão
e assim por diante. Isto é porque ela investiu em pensamentos,
num sistema de pensamento que não veio de Deus. A mente certa
vê que o ataque é literalmente impossível. Ela vê
o falso como falso. Ela não investe nesses pensamentos, ela os
vê como falsos e os conhece como falsos. Isto não é
diferente de dizer que o Espírito Santo vê as falsas idéias
e falsas crenças, mas somente olha o altar, olha para a Expiação,
o altar imaculado e que tem a certeza do Cristo.
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