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O Sonhador do Sonho
Workshop / Estudo / Discussão Direcionada
(Seleções de Um Curso Em Milagres)
PARTE 1: O uso da terminologia
metafísica e metáforas: Deus, Espírito, Conhecimento,
Criação, Cristo, Céu, e a metáforas
da mente dividida, causa e efeito, percepção, ego,
Espírito Santo, milagre, revelação, consciência,
mentalidade certa, mentalidade errada, escolhas, crenças,
divisão do sujeito / objeto, nível de confusão,
ordenação dos pensamentos, julgamento, cura, o abandono
do julgamento.
PARTE 2: Os dois usos
do tempo, relacionamentos e o corpo; os propósitos do ego
e do Espírito Santo.
PARTE 3: Metas do ego:
O que são elas? Por que é importante deixá-las
partir?
PARTE 4: Examinando o
Auto Conceito. Aproximando-se da verdade através da negação
(vendo o falso como falso). Revelando todas as ilusões
como uma. O fazedor de imagem e as imagens são uma. O Verdadeiro
perdão: um novo propósito. Meditação:
esvaziando a consciência de seus conteúdos. Ver completamente
o auto-conceito é ser livre. |
Parte 1 - O Uso da Terminologia Metafísica e Metáforas
MENTE - O termo <mente> é usado para representar o agente
ativador do espírito, suprindo a sua energia criativa. Quando
o termo aparece em maiúsculas, refere-se a Deus ou a Cristo (isso
é, a Mente de Deus ou a Mente de Cristo).
Espírito - O Pensamento de Deus que Ele criou como Ele mesmo.
Espírito unificado é o Filho único de Deus, ou
Cristo.
CONHECIMENTO - é a verdade, sob uma lei, a lei do amor ou Deus.
A verdade é inalterável, eterna e sem ambigüidade.
Pode ser reconhecido, mas não pode ser mudado. Ele se aplica
a tudo que Deus criou, e somente o que Ele criou é real. Está
além do aprendizado porque está além do tempo e
processo. Ele não tem oposto; nem começo e nem fim. Meramente
é.
CRIAÇÃO - A criação continua inabalável
porque esta é a Vontade de Deus. Esta Vontade é sempre
unificada e, portanto, não tem significado neste mundo. Não
tem oposto e nem graus.
A METÁFORA DA SEPARAÇÃO e suas estruturas / níveis:
Neste mundo, porque a mente é dividida, os Filhos de Deus parecem
ser separados. Nem suas mentes parecem ser unidas. Neste estado ilusório,
o conceito de um “mente individual” parece ter significado.
Portanto, é descrita no curso como se tivesse duas partes; espírito
e ego.
O espírito é a parte que ainda está em contato
com Deus através do Espírito Santo, Que habita nesta parte,
mas também vê a outra parte... A outra parte da mente é
inteiramente ilusória e faz somente ilusões. O espírito
retém o potencial para criação, mas a sua Vontade,
que é de Deus, parece ser aprisionada enquanto a mente não
é unificada.
O espírito faz uso da mente como um meio para encontrar a sua
Auto-expressão. E a mente que serve o espírito está
em paz e cheia de alegria. Seu poder vem do espírito, e está
feliz cumprindo a sua função aqui. Porém, a mente
pode se ver divorciada do espírito, e percebe a si mesma dentro
de um corpo e isso a confunde. Sem a sua função, então
ela não tem paz, e a felicidade é alheia aos seus pensamentos.
Porém a mente à parte do espírito não pode
pensar. Ela tem negado a sua Fonte de força, e vê a si
mesma indefesa, limitada e fraca. Dissociada de sua função
agora, ela pensa que está sozinha e separada. A mentes se unem;
corpos não. Somente designando à mente as propriedades
do corpo a separação parece ser possível. E é
a mente que parece ser fragmentada e privada e sozinha.
A abstração completa é a condição
natural da mente. Mas, parte dela agora não é natural.
Ela não olha para tudo como sendo um. Em vez disso ela vê
somente fragmentos do todo, pois só assim ela poderia inventar
a mundo parcial que você vê. O propósito todo do
ver é mostrar a você que você deseja ver. Todo o
ouvir somente traz a sua mente os sons que ela quer ouvir.
Assim as especificidades foram feitas. E agora devemos usar suas especificidades
na prática. Nós as damos ao Espírito Santo, para
que Ele possa empregá-las para um propósito que é
diferente daquele que nós demos a elas. Porém, Ele só
pode usar aquilo que fizemos, para nos ensinar de um ponto de vista
diferente, para que possamos ver um uso diferente em tudo.
Um irmão é todos os irmãos. Todas as mentes contêm
todas as mentes, pois todas as mentes são uma. Assim é
a verdade. Essas palavras trazem clareza perfeita com elas a você?
O que elas podem parecer senão sons vazios; belas, talvez, corretas
em sentimento, porém fundamentalmente não compreendidas
nem compreensíveis. A mente que ensinou a si mesma a pensar especificamente
não consegue mais captar a abstração no sentido
de que é todo abrangente. Nós precisamos ver um pouco,
para que aprendermos muito.
Parece que o corpo que nós sentimos limita a nossa liberdade,
nos faz sofrer e finalmente acaba com a nossa vida. Todavia corpos são
simplesmente símbolos para uma forma concreta de medo. O medo
sem símbolos não pede resposta, pois os símbolos
podem tolerar o insignificante. O Amor, sendo verdadeiro não
precisa de símbolos. Mas, o medo, sendo falso se apega à
especificidade.
O que é o EGO?
O ego é a idolatria; o sinal do ser limitado e separado, nascido
em um corpo, condenado a sofrer e terminar a sua vida na morte. É
a “vontade” que vê a Vontade de Deus como inimigo,
e toma a forma na qual é negada. O ego é a “prova”
que a força é fraca e o amor é temeroso, a vida
é realmente a morte, e o que se opõe a Deus sozinho é
verdadeiro.
O ego é insano. No medo ele se sustenta além de Todos
os Lugares, à parte de Tudo, na separação do Infinito.
Na sua insanidade ele pensa que se tornou vitorioso sobre o Próprio
Deus. E em sua terrível autonomia ele “vê”
a Vontade de Deus sendo destruída. Ele sonha com punição,
e treme com as figuras em seus sonhos; seus inimigos, que buscam assassiná-lo
antes que ele possa garantir a sua segurança atacando-os.
O Filho de Deus é sem ego. O que ele sabe da loucura e da morte
de Deus, quando ele habita Nele? O que ele conhece da angústia
e do sofrimento, quando ele vive em alegria eterna? O que ele conhece
do medo e punição, do pecado e da culpa, do ódio
e do ataque, quando tudo o que há rodeando-o é a paz que
dura para sempre, para sempre livre de conflito e imperturbado, no mais
profundo silêncio e tranqüilidade?
O que é um MILAGRE?
O oposto do ego em todas as maneiras, - em origem, efeito e conseqüência
- nós chamamos de um milagre. E aqui nós encontramos tudo
que não é do ego neste mundo. Aqui o oposto do ego e só
aqui nós olhamos para o que o ego foi, pois aqui nós vemos
tudo que ele parecia fazer, e a causa e seus efeitos ainda devem ser
um.
Milagres são um caminho para ganhar a liberação
do medo. A revelação induz a um estado no qual o medo
já foi abolido. Milagres são assim um meio e a revelação
é um fim.
Quando retornas à tua forma original de comunicação
com Deus, por revelação direta, a necessidade de milagres
acaba. A revelação é intensamente pessoal e não
pode ser traduzida de forma significativa. É por isso que qualquer
tentativa de descrevê-la com palavras é impossível.
A revelação só induz à experiência.
Milagres, por outro lado, induzem à ação. Eles
são mais úteis agora devido à sua natureza interpessoal.
Nessa fase do aprendizado é importante trabalhar com milagres
porque a libertação do medo não pode ser imposta
a ti. A revelação é literalmente indizível
porque é uma experiência de amor indizível. A revelação
induz à suspensão completa, porém temporária,
da dúvida e do medo. Reflete a forma original de comunicação
entre Deus e as Suas criações, envolvendo o sentido extremamente
pessoal da criação às vezes buscado em relacionamentos
físicos... Milagres te unem diretamente ao teu irmão.
Nenhum dos dois emana da consciência, mas ambos são lá
experimentados.
O que é a CONSCIÊNCIA?
Resumidamente, é a experiência direta da percepção
de dentro do domínio perceptual. A consciência é
o estado que induz à ação, embora não a
inspire. Você é livre para acreditar no que escolher, e
o que faz atesta o que você acredita.
A consciência é um mecanismo receptivo, recebendo mensagens
de cima ou de baixo: do Espírito Santo ou do ego. A Consciência
tem níveis e a conscientização pode mudar muito
dramaticamente, mas não pode transcender o domínio perceptual.
No seu nível mais elevado se torna ciente do mundo real, e pode
ser treinada a fazer isso de maneira crescente. Porém o fato
dela ter níveis e poder ser treinada demonstra que ela não
pode alcançar o conhecimento.
A percepção não existia até a separação
introduzir graus, aspectos e intervalos. O espírito não
tem níveis e todo conflito surge do conceito de níveis.
Só os Níveis da Trindade são capazes de Unidade.
Os níveis criados pela separação não podem
senão conflitar. Isso é assim porque eles são sem
significado uns para os outros. A consciência, o nível
da percepção, foi a primeira divisão introduzida
na mente depois da separação, fazendo com que a mente
seja um receptor ao invés de uma criador. A consciência
é corretamente identificada como o domínio do ego. O ego
é uma tentativa da mentalidade errada para perceber a ti mesmo
como desejas ser ao invés de como és. No entanto, só
podes conhecer a ti mesmo como és, porque essa é a única
coisa quanto a qual podes ter certeza. Tudo o mais ESTÁ aberto
ao questionamento.
O ego é o aspecto questionador do ser pós-separação,
que foi feito ao invés de criado. É capaz de fazer perguntas,
mas não de perceber respostas significativas porque estas envolveriam
conhecimento e não podem ser percebidas. A mente está,
portanto, confusa, pois só a mentalidade Una pode ser sem confusão.
A mente pode estar certa ou errada, dependendo a voz que ela ouve.
A MENTALIDADE CERTA ouve o Espírito Santo, perdoa o mundo, e
através da visão de Cristo vê o mundo real em seu
lugar. Esta é a visão final, a última percepção,
a condição na qual o Próprio Deus dará o
último passo. Aqui o tempo e as ilusões acabam juntos.
Isto também é o que o Curso chama de Sonho Feliz.
A MENTALIDADE ERRADA ouve o ego e faz ilusões; percebendo o
pecado e justificando a raiva. Ela vê a culpa, doença e
morte como real.
MENTALIDADE UNA - Tanto este mundo como o mundo real são ilusões
porque a mentalidade certa meramente olha para além do erro,
perdoando o que nunca ocorreu. Ambos são do domínio perceptual
e é por isso que a mentalidade certa não é a MENTALIDADE
UNA da Mente de Cristo, Cuja Vontade é una com Deus. A MENTALIDADE
UNA está além da percepção.
O que é a ESCOLHA?
Neste mundo a numa liberdade que permanece é a liberdade da
ESCOLHA; sempre entre duas escolhas ou duas vozes. A Vontade não
envolve percepção de nível alguma, e não
tem nada a ver com a escolha. A escolha real é escolher o estado
da mente, não a forma. Escolha entre ilusões é
impossível.
Você pode acreditar que é responsável pelo que
faz, mas não pelo que pensa. A verdade é que você
é responsável pelo que pensa, porque é só
nesse nível que você pode exercitar a escolha. O que você
faz vem do que você pensa. Você não pode se separar
da verdade “dando” autonomia ao comportamento. Apenas as
suas percepções equivocadas impedem o seu caminho. Sem
elas sua escolha é certa. Percepção sã induz
a escolha sã. Eu não posso escolher por você, mas
eu posso ajudá-lo a fazer a sua própria escolha certa.
Você ainda tem muito pouca confiança em mim, mas ela aumentará
à medida em você se volta cada vez mais a mim do que o
seu ego para sua orientação. Os resultados o convencerão
crescentemente de que esta escolha é a única escolha sã
que você pode fazer. Ninguém que aprenda pela experiência
de que enquanto uma escolha traz paz e alegria e a outra traz caos e
desastre precisa de persuasão adicional.
A orientação é avaliativa, porque pressupõe
que há um caminho certo e também um errado, um a ser escolhido
e outro a ser evitado. Ao escolher um, você desiste do outro.
A escolha pelo Espírito Santo é a escolha por Deus. Você
tem escolhido estar num estado de oposição onde oposto
são possíveis. Como um resultado, existem escolhas a serem
feitas. No instante santo a vontade é livre, de forma que o seu
poder criativo é ilimitado e a escolha é sem significado.
A liberdade de escolher é o mesmo poder da liberdade de criar,
mas a sua aplicação é diferente. A escolha depende
de uma mente dividida.
Como a DECISÃO tem relação com as CRENÇAS?
Para aprender este curso é necessário disposição
para questionar cada valor que você mantém. Nenhum pode
ser mantido escondido e obscuro, caso contrário irá por
em risco o seu aprendizado. Nenhuma crença é neutra. Cada
uma tem o poder de ditar cada decisão que você toma. Pois
a decisão é uma conclusão baseada em tudo que você
acredita. É o resultado da crença, e a segue com tanta
certeza quanto o sofrimento segue a culpa e a liberdade a impecabilidade.
Crenças nunca atacarão abertamente umas as outras porque
resultados conflitantes são impossíveis. Mas, uma crença
irreconhecida é uma decisão de guerra secreta, onde os
resultados do conflito são mantidos irreconhecidos e nunca trazidos
à razão, para serem considerados sensatos ou não.
E muitos resultados sem sentido foram alcançados e decisões
sem significado foram tomadas e mantidas ocultas, para se tornarem crenças
e agora têm o poder de dirigir todas as decisões subseqüentes.
O que precisa de CORREÇÃO?
A mentalidade certa não deve ser confundida com mente conhecedora,
porque é aplicável somente para a percepção
certa. Você pode estar na mente certa ou mente errada, e até
mesmo isto está sujeito a graus, demonstrando claramente que
o conhecimento não está envolvido. O termo “mentalidade
certa” é propriamente usado como a correção
para a “mentalidade errada”, e se aplica ao estado da mente
que induz percepção acurada. Ela é mente voltada
para o milagre porque cura a percepção equivocada, e isso
realmente é um milagre em vista de como você percebe a
si mesmo.
A percepção sempre envolve um certo uso equivocado da
mente, porque leva a mente a áreas de incerteza. A mente é
muito ativa. Quando ela escolhe estar separada ela escolhe perceber.
Até então ela só tem vontade de conhecer. Depois
disso, só pode escolher ambiguamente e a única saída
para ambigüidade é a percepção clara. A mente
retorna à sua própria função só quando
tem vontade de conhecer. Isso a coloca a serviço do espírito,
onde a percepção é mudada. A mente escolhe se dividir
quando escolhe fazer os seus próprios níveis. Mas ela
não poderia se separar inteiramente do espírito porque
é do espírito que deriva todo o seu poder de fazer ou
criar.
A DIVISÃO do SUJEITO / OBJETO
Uma mente separada ou dividida deve estar confusa. Necessariamente
está incerta sobre o que é. Ela tem que estar em conflito
porque está em desacordo com si mesma. Isso faz com que seus
aspectos sejam estranhos um ao outro, e esta é a essência
da condição propensa ao medo, no qual o ataque é
sempre possível. Você tem todas as razões para sentir
medo do modo que percebe a si mesmo. É por isso que você
não pode escapar do medo até que você reconheça
que você não criou e não poderia ter criado a si
mesmo. Você nunca pode fazer com que percepções
equivocadas sejam verdadeiras, e a sua criação está
além do seu próprio erro. É por isso que eventualmente
você deve escolher curar a separação.
A habilidade de perceber fez com que o corpo fosse possível
porque você deve perceber alguma coisa com alguma coisa. É
por isso que a percepção envolve uma troca ou tradução,
que o conhecimento não precisa. A função interpretativa
da percepção, uma forma distorcida de criação,
então permite a você interpretar o corpo como se fosse
você mesmo numa tentativa de escapar do conflito que você
induziu. Uma vontade aprisionada engendra uma situação,
que levada ao extremo, vem a ser totalmente intolerável. Se somente
os pensamentos amorosos do Filho de Deus são a realidade do mundo,
o mundo real deve estar em sua mente. Seus pensamentos insanos também
devem estar em sua mente, mas um conflito interno desta magnitude ele
não pode tolerar. Uma mente dividida está em perigo e
o reconhecimento de que ela abrange pensamentos completamente opostos
dentro de si é intolerável. Por conseguinte, a mente projeta
a divisão e não a realidade. Tudo o que percebes como
o mundo exterior é meramente a tua tentativa de manter a tua
identificação com o ego, pois todos acreditam que identificação
é salvação.
O espírito, que conhece, não poderia ser reconciliado
com esta perda de poder, porque é incapaz de escuridão.
Isto faz com que o espírito seja quase inacessível à
mente e inteiramente inacessível ao corpo. Conseqüentemente,
o espírito é percebido como uma ameaça porque a
luz abole a escuridão meramente te mostrando que ela não
está lá.
CAUSA E EFEITO
Trabalhar com milagres implica o reconhecimento pleno do poder do pensamento
a fim evitar a criação equivocada. Senão um milagre
será necessário para endireitar a mente em si, um processo
circular que não promoveria o colapso do tempo para o qual o
milagre foi intencionado. O trabalhador de milagre deve ter respeito
genuíno pela verdadeira causa e efeito como uma condição
necessária para que o milagre ocorra.
Quando a visão é negada, a confusão de causa e
efeito vem a ser inaceitável. O propósito agora passa
a ser o de manter obscura a causa do efeito e o de fazer o efeito aparecer
como a causa. Essa aparente independência do efeito permite que
ele seja considerado como algo que existe por si mesmo, e capaz de servir
como uma causa para os eventos e sentimentos que aquele que o fez pensa
que ele causa. Anteriormente, nós falamos do teu desejo de criar
o teu próprio criador e ser pai ao invés do filho para
com ele. Esse é o mesmo desejo. O Filho é o efeito, cuja
Causa ele quer negar. E assim, ele parece ser a causa, produzindo efeitos
reais. Nada pode ter efeitos sem uma causa e confundir os dois simplesmente
é falhar na compreensão de ambos.
Como a DIVISÃO é CURADA?
A estrutura da “consciência individual” é essencialmente
irrelevante porque é um conceito que representa o “erro
original” ou o “pecado original”. Estudar o erro em
si não leva à correção, se queres realmente
ter sucesso em não ver o erro. E é apenas esse processo
de deixar de vê-lo que constitui o objetivo do curso... Vais notar
que a ênfase em temas estruturais no curso é breve e inicial.
Depois, ele rapidamente os abandona e parte para o ensino central.
…a luz abole a escuridão meramente te mostrando que ela
não existe. A verdade vai sempre vencer o erro deste modo. Isso
não pode ser um processo ativo de correção porque,
com já enfatizei, o conhecimento ano faz nada.
Milagres rearranjam a percepção e colocam todos os níveis
em perspectiva verdadeira. Isso é cura porque a doença
vem da confusão de níveis.
Um passo importante no plano da Expiação é desfazer
o erro em todos os níveis. A doença, ou a “mentalidade
que não está certa”, é o resultado da confusão
de níveis porque sempre acarreta a crença em que o que
está fora de lugar em um nível pode afetar de maneira
adversa um outro. Nós nos referimos aos milagres como o meio
de corrigir a confusão de níveis, pois todos os equívocos
têm que ser corrigido no nível em que ocorrem. Só
a mente é capaz de errar. O corpo pode agir de forma errada apenas
quando está respondendo a um pensamento equivocado. O corpo não
pode criar, e a crença em que possa, um erro fundamental, produz
todos os sintomas físicos. A enfermidade física representa
um crença na mágica. Toda a distorção que
deu origem à mágica baseia-se na crença segundo
a qual existe uma capacidade criativa na matéria que a mente
não pode controlar...
Só a mente pode criar porque o espírito já foi
criado e o corpo é um instrumento de aprendizado para a mente.
Os instrumentos de aprendizado não são lições
em si mesmos. Seu propósito é meramente facilitar o aprendizado.
O pior que um uso faltoso de um instrumento de aprendizado pode fazer
é falhar em facilitar o aprendizado. Ele não tem nenhum
poder em si mesmo para introduzir erros fatuais de aprendizado.
É essencial lembrar que só a mente pode criar e que a
correção pertence ao nível do pensamento. Ampliando
uma declaração anterior, o espírito já é
perfeito e, portanto, não requer correção. O corpo
não existe, exceto como um instrumento de aprendizado para a
mente. Esse instrumento de aprendizado não está sujeito
a erros próprios porque não pode criar. É óbvio,
então, que induzir a mente a desistir de suas criações
equivocadas é a única aplicação da capacidade
criativa que é verdadeiramente significativa.
Deve-se enfatizar mais uma vez que o corpo não aprende nem tampouco
cria. Como um instrumento de aprendizado, ele meramente segue o aprendiz;
mas é falsamente dotado de iniciativa própria vem a ser
uma séria obstrução ao próprio aprendizado
que deveria facilitar. Apenas a mente é capaz de iluminação.
O espírito já é iluminado e o corpo em si é
por demais denso. A mente, porém, pode trazer sua iluminação
ao corpo reconhecendo que ele não é o aprendiz e, portanto,
não pode ser levado ao aprendizado. Contudo, o corpo é
facilmente levado a se alinhar com a mente que aprendeu a ver alem dele
em direção à luz.O aprendizado corretivo sempre
começa com o despertar do espírito e o afastamento da
crença na vista física. Isso freqüentemente acarreta
medo, porque tens medo do que a tua vista espiritual vai te mostrar.
Eu disse anteriormente que o Espírito Santo não pode ver
o erro e só é capaz de olhar para o que está além
do erro em defesa da Expiação.
A presença do medo mostra que fizeste com que pensamentos corporais
subissem ao nível da mente. Isso os remove do meu controle e
faz com que te sintas pessoalmente responsável por eles. Essa
é uma confusão óbvia de níveis.
Eu não fomento a confusão de níveis, mas tu tens
que escolher corrigi-la. Não desculparias um comportamento insano
da tua parte dizendo que não pudeste evitá-lo. Por que
serias condescendente com pensamentos insanos? Há uma confusão
aqui que farias bem em olhar com clareza. Tu podes acreditar que és
responsável pelo que fazes, mas não pelo que pensas. A
verdade é que és responsável pelo que pensas, porque
é só nesse nível que podes exercitar a escolha.
O que fazes vem do que pensas. Tu não podes separar-te da verdade
“dando” autonomia ao comportamento. Isso é automaticamente
controlado por mim, tão logo coloques o que pensas sob a minha
orientação. Sempre que sentes medo, é sinal seguro
de que permitiste que a tua mente criasse de forma equivocada e não
me permitiste guiá-la.
Não faz sentido acreditar que controlar o resultado de um pensamento
equivocado pode resultar na cura. Quando estas amedrontado, escolheste
errado. Essa é a razão de sentir-te responsável
por isso. Tens que mudar a tua mente, não teu comportamento,
e isso é uma questão de disponibilidade. Tu não
precisas de orientação exceto ao nível da mente.
O único lugar da correção é o nível
onde a mudança é possível. A mudança nada
significa ao nível dos sintomas, onde não pode funcionar.
O medo é sempre um sinal de tensão, surgindo todas as
vezes que o que queres conflita com o que fazer. Essa situação
surge de duas maneiras:primeiro, podes escolher fazer coisas conflitantes,
seja simultaneamente ou sucessivamente. Isso produz um comportamento
conflitante que te é intolerável, porque a parte da mente
que quer fazer uma outra coisa é ultrajada. Segundo, podes comportar-te
como pensas que deverias, mas sem quereres inteiramente fazê-lo.
Isso produz um comportamento consistente, mas acarreta grande tensão.
Nos dois casos, a mente e o comportamento estão em desacordo,
resultado em uma situação na qual tu estás fazendo
o que não queres totalmente fazer. Isso faz surgir um senso de
coerção que usualmente produz fúria e a projeção
está propensa a vir em seguida. Sempre que há medo, é
porque ainda não escolheste em tua mente. Portanto, a tua mente
está dividida e o teu comportamento inevitavelmente vem a ser
errático. A correção ao nível do comportamento
pode deslocar o erro do primeiro para o segundo tipo, mas não
obliterará o medo.
É possível alcançar um estado no qual trazes a
tua mente para a minha orientação sem esforço consciente,
mas isso implica em uma disponibilidade que ainda não desenvolveste.
O Espírito Santo não pode pedir mais do que aquilo que
estás disposto a fazer. A força para fazer vem da tua
decisão não dividida. Não há tensão
em fazer a Vontade de Deus tão logo reconheças que ela
é também tua. A lição aqui é bastante
simples, mas particularmente propensa a não ser vista. Portanto,
vou repeti-la, urgindo para que a ouças. Apenas a tua mente pode
produzir medo. Ela faz isso sempre que está conflitada em relação
ao que quer e produz tensão inevitável, porque o querer
e o fazer estão em discordância. Isso pode ser corrigido
só através da aceitação de uma meta unificada.
JULGAMENTO; o desejo de ser o autor da realidade
Escolher julgar ao invés de conhecer é a causa da perda
da paz. O julgamento é o processo no qual se baseia a percepção,
mas não o conhecimento. Eu já discuti isso antes em termos
da seletividade de percepção, mostrando que a avaliação
é o seu pré-requisito óbvio. O julgamento sempre
envolve rejeição. Nunca enfatiza apenas os aspectos positivos
do que é julgado, seja em ti ou nos outros. O que foi percebido
e rejeitado, ou julgado e considerado insuficiente, permanece na tua
mente porque foi percebido. Uma das ilusões de que sofres é
acreditares que quando fazes um julgamento contrario a alguma coisa,
ele não tem efeito. Isso não pode ser verdadeiro a não
ser que também acredites que aquilo contra o qual tu julgaste,
não existe. Evidentemente, não acreditas nisso ou não
terias feito um julgamento contrário. De qualquer forma, estás
colocando a tua crença no irreal. Isso não pode ser evitado
em nenhum tipo de julgamento, porque nele está implícito
que tu acreditas que a realidade é tua para que seleciones DELA
o que quiseres.
Tu não tens idéia da tremenda liberação
e da profunda paz que vêm de te encontrares contigo mesmo e com
teus irmãos totalmente sem julgamento. Quando reconheces o que
és e o que são os teus irmãos, compreenderás
que qualquer forma de julgá-los é sem significado. De
fato, o seu significado está perdido para ti precisamente porque
os estás julgando. Toda incerteza vem de acreditares que tu estás
sob coerção do julgamento. Não precisas dele para
organizar a ti mesmo. Na presença do conhecimento, todo julgamento
é automaticamente suspenso e esse é o processo que permite
que o reconhecimento substitua a percepção.
Tu estás muito amedrontado com todas as coisas que tens percebido,
mas tens te recusado a aceitar. Acreditas que, por teres te recusado
a aceitá-las, perdeste o controle sobre elas. É por essa
razão que as vês em pesadelos ou em disfarces agradáveis
naqueles que parecem ser os teus sonhos mais felizes. Nada do que te
recusaste a aceitar pode ser trazido à consciência. Não
é perigoso em si, mas tens feito com que pareça perigoso
para ti.
Tu não és realmente capaz de estar cansado, mas és
muito capaz de exaurir a ti mesmo. A tensão do julgamento constante
é praticamente intolerável. É curioso que uma capacidade
tão debilitante tenha vindo a ser tão profundamente apreciada.
No entanto, se desejas ser o autor da realidade, vais insistir em te
apegar ao julgamento. Tu também vais considerar o julgamento
com medo, acreditando que um dia será usado contra ti. Essa crença
só pode existir na medida em que acreditas na eficácia
do julgamento como uma arma de defesa da tua própria autoridade.
O tema da autoridade é realmente uma questão de autoria.
Quando tens um problema de autoridade, é sempre porque acreditas
que és o autor de ti mesmo e projetas tua delusão nos
outros. Assim, percebes a situação como se os outros estivessem
literalmente lutando contigo pela tua autoria. Esse é o erro
fundamental de todos aqueles que acreditam que usurparam o poder de
Deus.
Somente aqueles que entregam todo o desejo de rejeitar podem saber que
a rejeição de si próprios é impossível.
Tu não usurpaste o pode de Deus, mas o perdeste. Afortunadamente,
perder alguma coisa não significa que ela se foi. Simplesmente
significa que tu não te lembras aonde ela está. A sua
existência não depende da tua capacidade de identificá-la,
nem mesmo de localizá-la. É possível olhar a realidade
sem julgamento e meramente conhecer que ela existe. A paz é uma
herança natural do espírito. Cada um é livre para
se recusar a aceitar a própria herança, mas não
é livre para estabelecer o que é a sua herança.
O problema que todos não podem deixar de decidir é a questão
fundamental da autoria.
JULGAMENTO; a tentativa de ordenar os próprios pensamentos
Só o que Deus criou é irreversível e imutável.
O que fizeste sempre pode ser mudado, porque quanto não pensas
como Deus, não estás realmente pensando em absoluto. Idéias
delusórias não são pensamentos reais, muito embora
possas acreditar nelas. Mas está errado. A função
do pensamento vem de Deus e está em Deus. Como parte do Seu Pensamento,
NÃO PODES pensar à parte Dele.
O pensamento irracional é o pensamento desordenado. O próprio
Deus ordena o teu pensamento porque o teu pensamento foi criado por
Ele. Os sentimentos de culpa são sempre um sinal de que não
sabes disso. Eles mostram também que acreditas que podes pensar
à parte de Deus e queres fazê-lo. Todo pensamento desordenado
é acompanhado de culpa na sua concepção e a sua
continuação é mantida pela culpa. A culpa é
inescapável para aqueles que acreditam que ordenam seus próprios
pensamentos e, portanto, têm que obedecer aos ditames que eles
impõem. Isso os faz sentir responsáveis pelos seus erros
sem reconhecer que, ao aceitar essa responsabilidade, estão reagindo
irresponsavelmente. Se a única responsabilidade do trabalhador
de milagres é aceitar a Expiação para si mesmo
eu te asseguro que é, então, a responsabilidade por o
que é expiado não pode ser tua. O dilema não pode
ser resolvido a não ser pela aceitação da solução
do desfazer. Tu serias responsável pelos efeitos de todos os
teus pensamentos errados se eles não pudessem ser desfeitos.
O propósito da Expiação é salvar o passado
apenas em forma purificada. Se aceitas o remédio para o pensamento
desordenado, remédio cuja eficácia está além
da duvida, como podem os seus sintomas permanecer?
Talvez tenhas estado ciente de que não há competição
entre os teus pensamentos, os quais, embora possam entrar em conflito,
podem ocorrer juntos e em grande número. Tu podes estar tão
habituado a isso que o fato te causa pouca surpresa. No entanto, estás
também habituado a classificar alguns dos teus pensamentos como
mais importantes, mas amplos ou melhores, mais sábios, ou mais
produtivos e valiosos do que outros. Isso é verdadeiro no que
diz respeito aos pensamentos que atravessam a mente daqueles que pensam
que vivem à parte. Pois alguns são reflexos do Céu,
enquanto outros são motivados pelo ego, que apenas parece pensar.
O resultado disso é uma trama, um padrão mutável,
que nunca descansa e nunca fica parado. Move-se sem cessar através
do espelho da tua mente e os reflexos do Céu não duram
senão por um momento e logo se turvam à medida em que
a escuridão os apaga. Onde houve luz, a escuridão em um
instante a remove e padrões alternado de luz e de escuridão
varrem de forma constante a tua mente. A pouca sanidade que ainda permanece
é mantida por um sentido de ordem que tu estabeleces. Entretanto,
o próprio fato de poderes fazer isso e trazer alguma ordem ao
caos, te mostra que não és um ego e que tem que haver
mais do que um ego em ti. Pois o ego é caos e se tudo em ti fosse
o ego, absolutamente nenhuma ordem seria possível. Entretanto,
embora a ordem que impões à tua mente limite o ego, ela
também te limita. Ordenar é julgar e organizar através
do julgamento. Contudo, essa não é a tua função,
mas a do Espírito Santo.
Vai te parecer difícil aprender que não tens nenhuma base
para ordenar os teus pensamentos. O Espírito Santo ensina essa
lição dando-te brilhantes exemplos de milagres para mostrar-te
que a tua maneira de ordenar está errada, mas que uma maneira
melhor te é oferecida. O milagre oferece exatamente a mesma resposta
a todo pedido de ajuda. Ele não julga o pedido. Meramente reconhece
o que ele é e responde de acordo. Ele não considera que
chamado é o mais alto, ou o maior ou o mais importante. Tu, que
ainda estás preso ao julgamento, podes ficar imaginando como
podes ser solicitado a fazer algo que requer que não tenhas qualquer
julgamento próprio. A resposta é muito simples. O poder
de Deus, não o teu, engendra milagres. O milagre em si mesmo
é apenas a testemunha de que tens o poder de Deus em ti. Essa
é a razão pela qual o milagre abençoa igualmente
a todos os que o compartilham e é também por isso que
todos os compartilham. O poder de Deus é ilimitado. E sendo sempre
máximo, oferece tudo a qualquer chamado, de qualquer pessoa.
Não há nenhuma ordem de dificuldades aqui. A um pedido
de ajuda, se dá ajuda.
O único julgamento envolvido é a divisão única
do Espírito Santo em duas categorias: uma, de amor e a outra,
o pedido de amor. Não podes fazer essa divisão com segurança,
pois estás por demais confuso para reconhecer o amor ou para
acreditar que tudo o mais não é senão um pedido
de amor. Estás por demais preso à forma e não ao
conteúdo. O que consideras conteúdo não é
absolutamente conteúdo. É meramente forma e nada mais.
O Espírito Santo não te ensina a julgar os outros, porque
Ele não quer que ensines o erro e o aprendas. Dificilmente ele
seria consistente em Seu ensinamento se permitisse que fortalecesses
o que precisas aprender a evitar. Na mente de quem pensa, portanto,
Ele é julgador, mas só no sentido de unificar a mente
de modo que ela possa perceber sem julgamento. Isso faz com que a mente
seja capaz de ensinar sem julgamento e, por conseguinte, de aprender
a ser sem julgamento. O desfazer só é necessário
em tua mente, de modo que não venhas a projetar em lugar de estender.
O ego não pode sobreviver sem julgamento e, em conseqüência
disso, é deixado de lado. A mente, nesse caso, tem apenas uma
direção em cujo rumo pode se mover. A sua direção
é sempre automática, porque não pode fazer coisa
alguma que não seja ditada pelo sistema de pensamento ao qual
adere.
Todos os tipos de erro podem ser corrigidos porque são inverídicos.
Quando trazidos à verdade, ao invés de serem levados uns
aos outros, meramente desaparecem.
É impossível que uma ilusão seja menos passível
de ser conduzida à verdade do que as outras. Mas é possível
que para algumas seja dado maior valor, e essas tens menos disposição
de oferecer à verdade para serem curadas e ajudadas. Nenhuma
ilusão contém qualquer verdade em si mesma. No entanto,
algumas parecem ser mais verdadeiras do que outras, embora isso claramente
não faça sentido algum. Tudo o que uma hierarquia de ilusões
pode revelar é preferência, não realidade. Que relevância
tem a preferência para a verdade? Ilusões são ilusões
e são falsas. A tua preferência não lhes confere
realidade. Nenhuma delas é verdadeira em nenhum aspecto e todas
têm que se render com a mesma facilidade àquilo que Deus
deu como resposta para todas elas. A Vontade de Deus é uma só.
E qualquer desejo que pareça ir contra a Sua Vontade não
tem fundamento na verdade.
Na medida em que o professor de Deus avança no seu treino, aprende
uma lição cada vez mais profunda. Ele não toma
as suas próprias decisões; pergunta ao seu Professor qual
a Sua resposta, e é isso que respeita como seu guia de ação.
Isto torna-se cada vez mais fácil à medida em que o professor
de Deus aprende a desistir do seu próprio julgamento. Desistir
do julgamento – o pré-requisito óbvio para se ouvir
a Voz de Deus – é usualmente um processo razoavelmente
lento, não porque seja difícil, mas porque pode ser percebido
como um insulto pessoal. O treino do mundo está dirigido no sentido
de alcançar uma meta diretamente oposta à do nosso currículo.
O mundo treina visando a confiança no próprio julgamento
como critério de maturidade e força. O nosso currículo
treina tendo em vista o abandono do julgamento como condição
necessária à salvação.
Como se ABANDONA O JULGAMENTO?
O julgamento, como outros instrumentos através dos quais se mantém
o mundo das ilusões, é compreendido de forma totalmente
errada pelo mundo. De fato, é confundido com sabedoria e substitui
a verdade. Considerando a forma que o mundo usa o termo, um indivíduo
é capaz de fazer “bom” ou “mau” julgamento
e a sua educação tem por objetivo fortalecer o primeiro
e minimizar o último. Entretanto, há grande confusão
em torno do que significam estas categorias. O que é “bom”
julgamento para um, é “mau” para outro. Além
disto, até a mesma pessoa, em um dado momento, classifica a mesma
ação como sendo demonstrativa de “bom” julgamento
e de “mau” julgamento em outro. Nem é possível
ensinar-se qualquer critério consistente para a determinação
do que são estas categorias. A qualquer momento o aluno pode
discordar daquilo que o seu pretenso professor diz a esse respeito,
e o próprio professor pode muito bem ser inconsistente em relação
àquilo em que acredita. “Bom” julgamento, nestes
termos, não significa nada: assim como “mau” também
não significa nada.
É necessário que o professor de Deus reconheça,
não que não deve julgar, mas que não pode julgar.
Ao desistir do julgamento, está apenas a desistir do que não
tinha. Desiste de uma ilusão; ou melhor, tem a ilusão
de desistir. De fato, simplesmente, se tornou mais honesto. Reconhecendo
que o julgamento sempre lhe foi impossível, não mais tenta
fazê-lo. Não há nenhum sacrifício. Ao contrário,
coloca-se numa posição na qual o julgamento pode ocorrer
‘através’ dele, em vez de ‘por’ ele.
E este julgamento não é “bom” nem é
“mau”. É o único julgamento que existe e é
apenas um: “O Filho de Deus não tem culpa e o pecado não
existe”.
O objetivo do nosso currículo, ao contrário da meta do
aprendizado do mundo, é o reconhecimento de que o julgamento,
no sentido usual do termo, é impossível. Isto não
é uma opinião, mas um fato. Para poder julgar qualquer
coisa acertadamente, a pessoa teria de estar inteiramente ciente de
uma escala inconcebível de coisas passadas, presentes e por vir.
A pessoa teria de reconhecer antecipadamente todos os efeitos dos seus
julgamentos sobre todas as outras pessoas e coisas, de alguma forma
envolvidas com tais efeitos. E a pessoa teria de estar certa de não
haver nenhuma distorção na sua percepção,
de forma a que o seu julgamento fosse totalmente justo em relação
a todos aqueles sobre os quais recai, agora e no futuro. Quem está
em posição de fazer isto? Quem, a não ser em grandiosas
fantasias, poderia reivindicar tal coisa para si mesmo?
Lembra-te de quantas vezes pensaste que conhecias todos os “fatos”
necessários para um julgamento e de como estavas enganado! Existe
alguém que não tenha tido esta experiência? Saberias
quantas vezes, simplesmente, pensaste que estavas certo, sem jamais
reconheceres que estavas errado? Por que escolherias uma base tão
arbitrária para tomar decisões? A sabedoria não
está em julgar, mas no abandono do julgamento. Faz, então,
apenas mais um julgamento. É o seguinte: há Alguém
contigo cujo julgamento é perfeito. Ele conhece todos os fatos
passados, presentes e por vir. Ele, na verdade, conhece todos os efeitos
do Seu julgamento sobre todas as pessoas e todas as coisas que, de alguma
forma, estão envolvidos com esse julgamento. E Ele é totalmente
justo para com todos, pois não há distorção
na Sua percepção.
Portanto, deixa de lado o julgamento, não com pesar, mas com
um suspiro de gratidão. Agora, estás livre de uma carga
tão grande que somente poderias cambalear e cair para debaixo
dela. E tudo era ilusão. Nada mais. Agora, o professor de Deus
pode erguer-se sem cargas e caminhar com leveza. Porém, não
é esse, apenas, o seu benefício. O seu senso de preocupação
desvaneceu-se, pois já não tem nenhuma preocupação.
Abdicou disso, juntamente com o julgamento. Entregou-se Àquele
em cujo julgamento escolheu passar a confiar, em vez do seu próprio.
Agora, não se engana. O seu Guia é seguro. E onde o professor
de Deus veio para julgar, veio para abençoar. Onde ele agora
ri, antes costumava vir para chorar.
Não é difícil abandonar o julgamento. Mas é,
de fato, difícil tentar mantê-lo. O professor de Deus abandona
o julgamento com felicidade no momento em que reconhece o seu preço.
Toda a feiúra que vê à sua volta é conseqüência
do julgamento. Toda a dor que contempla é o seu resultado. Toda
a solidão e o senso de perda, do tempo que passa e da desesperança
crescente, do desespero doentio e do medo da morte; tudo isso veio do
julgamento. Agora, o professor de Deus sabe que tais coisas não
precisam de ser assim. Nenhuma delas é verdadeira. Pois desistiu
da sua causa e elas, que nunca foram senão os efeitos da sua
escolha errada, deixam de estar presas a ele. Professor de Deus, este
passo irá trazer-te a paz. Será difícil querer
apenas isto?
Continuar na Parte 2
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