|
O Propósito é a Única Escolha
Quando olhamos para as escolhas no mundo, nossa sensação
de estar arrasado às vezes pode ser expressado em uma variedade
de formas. Este diálogo (entre o Orador e vários amigos)
começa com uma expressão de inquietação,
que é uma forma sutil de transtorno ou simplesmente não
estar em paz. Isso proporciona um ponto de partida para traçar
o transtorno específico até a sua fonte, a mente equivocada,
onde a percepção é corrigida pela escolha de um
novo propósito.
Parte 1 | Parte
2 | Parte 3 |
Parte 4 | Parte 5
Parte 5
Questionador 1: Você está dizendo que
nós vamos pensar que vamos querer ter nossos pensamentos corretamente
alinhados já que a culpa vem dos pensamentos que não estão
alinhados com o Espírito?
Orador: Sim. A mente equivocada está cheia de
pensamentos irreais ou realmente não está pensamento em
absoluto. Pensamentos reais do Espírito permanecem disponíveis
e podem ser ouvidos se esse for o desejo. O julgamento nega a Realidade
e, portanto, não oferece nada. O ponto de liberação
é ver que -- ver a impossibilidade do julgamento! Se alguém
consegue discernir claramente entre esses dois sistemas de pensamento,
então não se cai no truque do ego da personalização
ou personificação de tudo e fazer com que problemas sejam
específicos (ex: ver problemas pessoais, ver a mim mesmo contra
uma pessoa ou grupo, decidir quem está certo ou errado, escolher
de lado ficar, etc.). Quando o julgamento é visto como impossível
e a mente não mais se identifica com as imagens e personagens
na tela, necessariamente há paz!
Questionador 2: Você faz a distinção
entre pensamentos de ataque e pensamentos reais. Estou pensando que
pensamentos amorosos, de gratidão são pensamentos reais,
então ser grato por natureza seria um pensamento real.
Orador: Vamos olhar para este. Vamos dar uma olhada
nas características de um pensamento real. Tudo tem que ter uma
fonte. Se nós examinarmos causa e efeito, qual é a Fonte
desses pensamentos reais? Esse é o modo que se pode testar os
pensamentos reais, por assim dizer. Pensamentos de ataque do ego certamente
não estão vindo de Deus, mas pensamentos reais, reflexos
da Realidade, devem vir de Deus. Bem, se alguém pensa que pensamentos
amorosos têm a ver com natureza material, tais como “formas
bonitas”, esse alguém pensa que esses pensamentos vêm
de uma Fonte abstrata, eterna, imutável ou não? O eterno
vem do eterno. A forma não é nada, somente imagens projetadas.
Consegue ver que depois de um tempo é possível olhar para
cada pensamento na própria mente e passar pelo mesmo critério,
o mesmo teste?
Questionador 2: Como vou além do julgamento?
Parece haver um julgamento entre pensamentos reais e pensamentos do
ego. Como eu consigo discernir esses pensamentos sem julgar e fazer
com que sejam equivocados?
Orador: A única maneira que isso é possível
é olhar para o ego e não se sentir errado, é estar
olhando com o Espírito. Em outras palavras, só existem
os propósitos do perdão e separação. Se
alguém está olhando para os pensamentos calmamente com
o Espírito, isso é perdão. O Espírito conhece
a mente como ela verdadeiramente é; o Espírito conhece
a sua integridade. Quando há uma aceitação completa
do verdadeiro perdão, é visto que nunca houve qualquer
coisa entre o que se escolher. É visto que até a metáfora
da mente dividida foi apenas um degrau na escada - o degrau do topo.
O que acontece quando você chega no topo da escada? Mesmo se você
usar a escada neste mundo, quando você chega no degrau do topo
de uma escada que você está usando para subir num telhado,
por exemplo, você dá um passo para fora da escada. Uma
vez que chega no degrau do topo, uma vez que você chega na aceitação
do completo perdão, a escada desaparece.
O completo perdão é a aceitação da Correção
para o erro chamado ego! A separação pareceu ocorrer e
a Correção foi dada como uma Resposta imediata. A Correção
respondeu o instante da separação, o instante em que o
tempo / espaço pareceu se separar em bilhões de planetas
e estrelas e múltiplas imagens, incluindo pessoas separadas.
Ver a incapacidade da mente equivocada para julgar qualquer coisa com
precisão é a chave para aceitar a Correção
e assim trazer um fim ao erro. Aqui vai uma estória para vocês:
Quando a mente acreditou que ela se separou de Deus, ela ficou aterrorizada
de que ela tinha realmente feito o impossível. A mente, naquele
instante de terror, pareceu projetar um mundo e se identificar com partes
ou especificidade na tela do mundo. Neste cosmos inteiro de imagens,
esta mente equivocada focou toda sua atenção no corpo
para ser seu novo “lar”. Este corpo, em vez do Espírito
esquecido, foi eleito ser o “eu”, e todo o resto no cosmos,
incluindo todos os “outros corpos” que a mente equivocada
percebeu, foi escolhido para ser o mundo / cosmos objetivo no qual o
“eu” viveria. Esta divisão de sujeito-objeto e toda
a ordenação de imagens do mundo / cosmos foi uma tentativa
da mente equivocada para trazer algum tipo de ordem ao caos e minimizar
seu terror. Ordenar as imagens é julgamento, um instrumento para
manter este mundo ilusório e assim proteger o ego contra a Luz
da Verdade. Abandonar o julgamento é deixar o ego e seu mundo
distorcido partir. Todas as falsas crenças e pensamentos são
auto-julgamentos, mas o Ser está além do julgamento.
Questionador 2: Então, inquietação
é simplesmente acreditar que eu sou quem eu não sou.
Orador: Se nós trouxermos isso para o círculo
fechado, inquietação é acreditar que há
uma escolha a ser feita onde não existe nenhuma escolha. Você
consegue ver isso, se você seguir isso para dentro, chega num
ponto de apenas examinar o pensador e os pensamentos na mente. Escolha
entre imagens não é absolutamente nenhuma escolha. O perdão
é apenas um estado de ver o falso como falso à medida
que se observa todos os pensamentos do fazer, todos os pensamentos corporais,
todos os pensamentos da personalidade: Oh, eu preciso fazer isso. Preciso
fazer aquilo. Preciso cuidar disso. Preciso cuidar daquilo. Estou com
vergonha disso. Estou com medo de que aquilo irá acontecer.
Questionador 2: Então o que eu estou fazendo?
Eu estou ativamente dando telefonemas para tirar as coisas do meu calendário
de atividades. Isso é fazer, não observar.
Orador: Se alguém está dormindo, se não
está no ponto no qual se questionou todos os aspectos da personalidade
e tempo e espaço, etc., ainda se tem um sistema de falsa crença.
Mas o Espírito é capaz de infundir através deste
sistema de pensamento, por assim dizer, e alcançar a mente onde
ela acredita que está. Vamos dizer que você está
começando a questionar suas crenças sobre tudo. Bem, o
que está na tela da percepção é apenas um
filme dessas crenças. Parece que ainda há uma pessoa que
continua a fazer coisas no tempo linear. Lembre-se esse é o sonho.
Essa é a interpretação ou percepção
do ser como uma pessoa no mundo. Então alguém pode dizer,
“Pareço estar ficando mais pacífico” ou “Pareço
estar ficando mais transtornado”. Você enxerga que isso
é um significado ou uma interpretação? Quem é
o “eu” que parece estar se tornando mais pacífico?
Quem é o “eu” que parece estar ficando mais transtornado?
Ainda é uma pessoa. À medida que se recua, recua para
dentro da mente certa, por assim dizer, deferindo o julgamento do Espírito,
se chega num ponto de clareza ou completo perdão e não
faz interpretações por si só ou de si mesmo. A
percepção “individual” se dissolve no perdão,
o Espírito é a interpretação ou julgamento.
Enquanto se acredita que está neste mundo, parece haver julgamentos
e escolhas que são necessários. O Espírito é
julgador na mente equivocada, quando ela parece se submeter ao “processo”
da seleção dos dois sistemas de pensamento. Aqui está
um exemplo de como isso parece representar: Alguém se sintoniza
com o Espírito e está quieto. Este alguém quer
muito se unir ao Espírito e tem uma forte disponibilidade. Pensamentos
que ainda envolvem a forma vêm para a mente, pensamentos para
telefonar para esse ou aquele, para se encontrar com alguém,
para deixar o emprego, pegar aquele emprego, etc.” Obviamente,
esses pensamentos ainda são pensamentos de forma. Mas o Espírito
entende que a mente equivocada, divida ainda acredita que é uma
pessoa num mundo. O falso sistema de crença toma forma de sombras
projetadas na tela do mundo, um retrato das crenças escuras.
O Espírito está trabalhando com a mente para abandonar
essas crenças e pensamentos que estão produzindo as sombras
na tela. E assim a mente se sente desorientada à medida que ela
começa a afrouxar e questionar essas crenças que eram
protegidas (ex: “Eu não tenho mais certeza de que sou uma
esposa ou uma mulher ou um homem ou um trabalhador da construção
ou um Americano, etc. Eu não estou mais tão certo daquilo
que sou.”). Simbolicamente, as coisas ainda parecem estar “acontecendo”
na tela, mas são apenas interpretações de uma mente
equivocada sobre ela mesma. Isso faz com que a questão do julgamento
fique clara. O Espírito não está trabalhando “no
mundo”, mas está trabalhando com a mente que “pensa
que está no mundo” para que ela possa reconhecer que ela
fez o mundo. Pode-se pedir significativamente ao Espírito ensinar
a se perceber o mundo de maneira diferente. Você vê como
isso é diferente de dizer, “Espírito, venha para
o mundo e mude as circunstâncias -- ache para mim um lugar para
estacionar, ajude me a ganhar na loteria, etc.?”
Interpretar que o Espírito trabalha “no mundo” pode,
no entanto, ser um passo útil no processo para a mente que acredita
que é impotente, uma pessoa indefesa e parece precisar de um
símbolo concreto de ajuda. A mente que acredita no concreto e
específico só pode interpretar desse modo. A interpretação
é obviamente útil para a mente que pede, “Deus,
por favor, me ajude a encontrar um lugar para estacionar,” e então
se percebe encontrando um lugar para estacionar” como um evento
que “prova” existe um Deus amoroso e que auxilia. Porém,
você vê que tal interpretação é apenas
uma outra interpretação? O Espírito não
entra para o mundo. A verdade não entra nas ilusões. O
Espírito está trabalhando com a mente para abandonar as
falsas crenças. Alguém pode escolher interpretar a si
mesmo como “uma pessoa” e atribuir situações
e eventos para o Espírito, tais como, “O espírito
achou um lugar para eu estacionar.” Ou “O espírito
me ajudou a perder 10 quilos.” Isso ainda seria uma interpretação
“pessoal”, como se o Espírito estivesse realmente
preocupado com pessoas, objetos, eventos e situações separados
em vez da mente, que acredita nessas coisas específicas. Resumindo,
o Espírito não percebe o mundo do modo que ele é
percebido com os olhos do corpo. A Visão não é
“pessoal”.
Questionador 2: Eu estou querendo ser um pouco prático.
Está tudo bem ser prático?
Orador: Para mim, o que é mais prático
é olhar para os pensamentos, conceitos e crenças. Eu acho
que uma associação é freqüentemente feita
entre praticidade e especificidade, ou fazer coisas da forma (ex: “fazer
a coisa prática.”) Mas você disse no começo
da nossa discussão que há algo desconfortável para
você em relação ao pensamento “Eu não
tenho que fazer nada.” Ao questionar isso, estou pedindo a você
para apenas olhar para as crenças. Nós começamos
com algo específico e então retraçamos até
o sistema de crença na mente. Isso é muito prático.
Vamos simplesmente olhar, por exemplo, para a idéia “A
menina atravessou a rua correndo para pegar a bola.” Pode parecer
que o que acontece no mundo da forma é “um fato”
e que a única escolha que se tem é como se interpretará
“o que acontece.” Deve-se entender que “o que acontece”
é a interpretação porque a percepção
é interpretação. “O que acontece” --
o mundo da forma -- nunca é um fato. É uma alucinação,
um sonho. É uma ilusão da realidade. “Deus e Realidade”
é o único verdadeiro fato que existe. Então você
vê como é importante examinar o sistema de crença
que produz a interpretação, por exemplo, “a menina
atravessou a rua correndo para pegar a bola.” Você não
diria que essa interpretação assume personalidade? Essa
interpretação assume conceitos da “menina,”
“atravessou,” “rua,” “correndo,”
“para” “pegar,” e “bola.” Esses
são conceitos, amarrados juntos e associados, constituem a interpretação.
Certamente as sutilezas da nossa investigação de hoje
pode levar alguém a apreciar questionar o propósito de
tudo que se percebe.
Questionador 2: Nós falamos anteriormente sobre
o trabalho da criança-interior, psicoterapia ou examinado o passado.
É útil olhar para tudo isso? Eu quero questionar o que
eu estou olhando quando estou olhando para o meu passado disfuncional.
A disfunção não foi aos cinco ou sete anos de idade.
Isso ocorreu quando eu acreditei que eu me separei de Deus. Não
é isso a disfunção que ocorreu?
Orador: Sim, e a “disfunção”
só pode ser desencoberta e corrigida agora! A história
não pareceria existir se parássemos de fazer a mesma escolha
errônea (ex: separação) exatamente agora. Não
haveria nenhuma concepção de um futuro se a Correção
fosse aceita bem agora! A personalidade não tem significado sem
a história e o futuro. Você enxerga isso?
Questionador 2: Você está dizendo que o passado
disfuncional é irrelevante em termos históricos.
Questionador 1: Está acontecendo bem agora.
O orador salientou anteriormente que cada escolha que se faz traz tudo
ou nada. Se alguém escolhe a separação, se alguém
escolhe ficar revivendo isso, então esse alguém pensa
que é uma pessoa separada com um passado e um futuro.
Orador: Existe um ponto aqui que requer um esclarecimento.
O grande insight que nós estamos falando é este: o transtorno
nunca é por causa daquilo que aconteceu com “uma pessoa”
num passado pessoal disfuncional. Como alguém está se
sentindo agora não tem absolutamente nada a ver com um evento
que aconteceu na história de um corpo ou de corpos ou com o que
poderia acontecer no futuro. Como alguém está se sentindo
é o resultado de uma decisão presente da mente, uma escolha
de percepção -- isso, e somente isso, traz paz ou transtorno.
Lembre-se, a mente dividida tem somente dois conteúdos ou propósitos.
A percepção ou interpretação provém
do propósito que a mente escolhe. Se alguém está
se sentindo transtornado, é somente porque está escolhendo
presentemente o ego, escolhendo a separação. Existe uma
outra maneira de dizer isso: necessariamente este alguém acredita
que o passado é presente, em vez de ver que o passado se foi.
Isso é engano, pois o passado se foi! Transtorno é sempre
um sinal de que ilusões reinam no lugar da verdade. Então
estamos de volta no círculo fechado novamente. Se alguém
parece estar transtornado, não é por causa daquilo que
alguém disse, ou o que alguém fez, ou por causa do clima,
ou o que parece acontecer, etc. O transtorno, não importa a forma
ou a intensidade, é sempre porque se está presentemente
escolhendo o ego e, portanto, ainda valoriza o ego. O desejo para ser
separado permanece intacto e precisa ser questionado.
Mais uma vez, a fim de tomar uma decisão clara pela paz, é
necessário vir a estar realmente, realmente, realmente esclarecido
sobre a separação e o perdão, os dois propósitos
diferentes da mente dividida. Senão, este alguém vai continuar
plugado no ego. Eu gostaria de fazer uma analogia do ego como um eletrodoméstico,
um liquidificador que está funcionando e fazendo muito barulho.
Ele tem um fio que desce dentro da mente, e o jeito de parar o barulho
é puxar o plugue. A própria mente está dando a
corrente elétrica ou eletricidade ao ego, por assim dizer. O
liquidificador não funciona sem eletricidade. O ego não
funcionará, ele nem pode parecer existir, a menos que se dê
força a ele na própria mente. Então a chave é
seguir o fio até lá, bem lá em baixo até
o plugue (propósito), e desplugá-lo. A coisa é
a seguinte: se alguém está se agarrando ao sistema de
pensamento do tempo linear, espaço, corpos, famílias,
profissões, natureza e todas as coisas deste mundo, então
à medida que se aprofunda, o ego grita “PARE! Você
não quer fazer isso. Você vai ficar sem nada! Sem identidade!”
E se o ego ainda parece ter valor, se ele ainda parece dar alguma coisa
que se pensa que se quer e precisa, a mente hesita na busca do plugue.
Na sua tentativa de lidar com o barulho do liquidificar, a mente equivocada
irá reter mecanismos de defesa e distrações na
superfície (o mundo projetado). Seguir a corda até lá
em baixo nesta analogia é o mesmo que traçar os transtornos
da especificidade até a falsa crença que os produziu ou
estar esclarecido quanto a distinção entre forma e conteúdo.
Neste esclarecimento, se é capaz de discernir o que vem de Deus
e o que não vem, o que é verdadeiro e o que é falso,
e assim reconhecer que SOMENTE A VERDADE É VERDADEIRA E NÃO
HÁ NADA PARA SE DECIDIR. Até que esse reconhecimento seja
alcançado, o propósito é a única escolha.
|