‘Professor dos Professores’
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Definindo o Ego

Nota ao leitor: Esta transcrição foi superficialmente editada para fazer com que certos pontos do diálogo sejam claros e para facilitar a leitura. Por esta razão, ela não corresponde com exatidão, palavra por palavra o áudio em mp3. No entanto, o conteúdo geral e as idéias expressadas permanecer intactas.

Participante 1: Eu tenho tido um problema tremendo - de toda a leitura limitada que tenho feito do Curso - com este conceito que parece apresentar o ego como um tipo de coisa ruim, como oposto de todo o meu - também limitado conhecimento psicológico - que diz, ‘Nós temos um forte ego, necessariamente inventamos uma personalidade’ e tudo o mais. E é um conflito real na minha compreensão. Então, parece que você está bem preparado para lidar com isso.

[risadas]

Orador: Bem, nós vamos falar sobre o ego. Vamos desvelar a coisa, vamos direto nela. A coisa sobre o ego é [não tentar] lutar com ele ou combatê-lo porque o ego adora uma briga. O Curso está só dizendo para apenas olhar para ele. Uma vez que você consegue realmente olhar diretamente para ele... a única razão que os medos parecem ser mantidos é porque nós tentamos olhar para longe deles.

Você já teve um sonho onde você está sendo perseguido por algo? Você está tendo o mesmo sonho o tempo todo e não quer se virar e olhar para ele. E basicamente Jesus está só dizendo, ‘ele não é absolutamente amedrontador. Podemos olhar diretamente para ele e ele se vai como sopro de [fumaça].’ Mas para falar sobre a sua questão da força do ego e integrar... Quando eu estudei psicologia e comecei a passar por aquilo, aquilo era bem uma psicanálise, que está basicamente dizendo que entre o “id” (todas essas forças inconscientes) e o “super ego” (a voz da moralidade), que o “ego” nesse sistema é um tipo de mediador. E nesse sentido, se ele é um mediador entre essas duas forças combatentes que estão na mente, então é aí onde a idéia da ‘força do ego’ entra; do querer construir a força do ego. Mas aonde a psicologia Freudiana realmente nunca chegou foi que ela estava só descrevendo o lado negro da mente. Ela diz, ‘Sim, havia essas forças interpsíquicas e havia essas moralidades e tudo o mais.’, mas isso era tudo. Todas as pré-partes que foram descritas: o “id”, o “ego” e o “super ego” eram todos partes do ego.

E então há uma outra parte da mente que a psicologia Freudiana realmente não entrou, que é a parte do espírito. Essa é a única coisa que quando eu estava na psicologia, era como se ficasse procurando ‘Onde está o espírito?’ ou ‘Como nós integramos religião ou espiritualidade com psicologia porque elas parecem antitéticas.’

Ou ciência; muitas vezes quando eu entrava na ciência eu ficava me perguntando ‘Onde a ciência se encaixa em tudo isso?’ Então fui ler física quântica e alguns dos físicos quânticos começaram a falar em termos que pareciam horríveis, [sobre coisas como] percepção psicológica [e] que não há realidade no mundo à parte daquilo que você pensa. E experiências com partículas onde eles tentam fazer experimentos duplamente cegos e tentam tirar o experimentador fora e achavam que os pensamentos [na mente] do experimentador estavam movendo as partículas, e que eles não poderiam [de] modo algum remover a mente do experimentados do [experimento]... Então é como que... todas essas coisas começam a apontar para ... É subjetivo, que a mente é influenciada...

É isso que eu realmente comecei a ver, [que a] coisa toda sobre a psicologia não estava realmente ajudando. Era muito pessimista que tinha que haver uma outra parte da mente... Quando eu comecei a ler... psicologia oriental... ler livros sobre o “Ser Superior” [havia uma sensação de], “Sim, isso ressoa, tem que haver um Ser Superior como um oposto deste simplesmente pequeno ser.” Então isso me deu um senso de que havia algo além disso.

Participante 1: Eu suponho que você também passou pela abordagem Junguiana. Como a sua abordagem do ego se compara ao Jung?

Orador: Jung pareceu realmente tocar... ele pegou esta idéia que Freud trouxe como o inconsciente e então chamou isso de “inconsciência coletiva” e ele começou a ver que havia algo, o Ser Superior... além dessa inconsciência. Este Ser Superior, Jung dizia, era capaz de se comunicar através de sonhos e através de símbolos com modelos de amor e assim por diante, e... havia ‘meios’ de despertar para este Ser Superior. Então, eu sinto que Jung realmente começou articular mais que havia algo além. E quanto você realmente entra no Curso, ele se encaixa bem com a psicologia Junguiana no sentido de que a psicologia Junguiana disse que havia este inconsciente com todas essas crenças como se dizendo que estavam por baixo da superfície e que você tinha que entrar em contato com essa crença.

E é isso que o Curso Em Milagres está dizendo. Jesus está dizendo que existem muitas crenças inconscientes e até que você consiga olhar para elas, até que você consiga ficar ciente delas, então elas continuam comandando. Você tinha pedido para definir o ego, e há um ponto no fim do texto onde Jesus diz que você não pode ter uma definição para algo que não é nada, que é um tanto quanto interessante; tipo, ‘Se eu o defino para você, isso está dando realidade para ele.’ Mas ele diz que nós podemos mostrar o oposto, e o oposto do ego de todas as maneiras e formatos é o milagre. Então depois que Ele fala do ego como o nada que ele é, Ele começa mais uma vez a mostrar o positivo ou mostrar a divindade, a mente certa.

A coisa sobre a morte do ego... Alguém me perguntou outro dia, “Então ele [ego] tem que morrer no final?” E eu disse, “Bem você pode olhar para isso desse jeito, mas você tem que acreditar que ele algum dia viveu antes que você possa acreditar que ele possa morrer.” Quanto mais eu estudo o ego... ele fica desvelado por aquilo que ele é. Eu vi pessoas que trabalham com o Curso dizer, “ame o seu ego” e “odeie o seu ego” e muitas pessoas irão perceber quando estão lendo o livro [que] parece que [o ego] está para aprontar alguma coisa ruim. Mas de uma certa maneira Jesus diz, ‘Você fez o ego por acreditar nele e você pode dissipar o ego retirando a sua crença nele. Você fez o ego acreditando nele e você pode dissipar o ego retirando a sua crença nele.’ [O áudio original repetiu esta frase para enfatizar.]

Participante 2: Você vê, é isso que me incomoda um pouco. Às vezes eu sinto que há tanta emoção colocada ao tentar destruir esse ego, como ele fosse uma entidade, como ele substituísse o mal.

[risadas]

Orador: Ele realmente descreve-o no início; há um ponto, no começo do texto, aonde Ele realmente vai fundo e realmente descreve o ego muito bem. E então Ele diz, ‘Eu tive que fazer isso, porque você não iria dispensá-lo tão facilmente.’ E é aí onde Ele começa a introduzir, naquele ponto, que é obviamente só uma crença e você a fez ao acreditar nela e você pode dissipá-la. Mas na parte inicial, bem no início [Ele diz que] para que ele não seja só varrido para longe, porque isso é parte do mecanismo de defesa do ego, como que só varrer o medo para baixo e de um certo modo dispensar o medo e reprimi-lo ou negá-lo, e então de repente ele vem à tona. E este é um Curso para dissipar o ego e não tentar matá-lo.

Participante 2: Não lutando com ele. É isso que me incomodava; é essa batalha que parece estar sendo travada. Eu acho que seria mais fácil retirar a energia desse sistema de crença do que tentar lutar com ele.

Orador: No fim tudo é sobre a dissipação do ego; lembrando-se de rir dele. E então não é como matá-lo. No final, você ri dele.

Participante 2: Ri dele, dissipando-o...

Orador: Você ri dele, dissipando-o. É uma piada.

Agora, quando a mente está no estado adormecido então é como que uma parte da mente é onde o Espírito Santo mora e o Curso chama de mente certa, e isso é sanidade. Esta é a conexão de volta ao Cristo e o Pai. E então, o lado negro da mente é onde o ego reside. Então dizer, “ame o ego” seria dizer, “ame o nada”. A fim de realmente amar alguma coisa, ela tem que existir. Então o Curso definitivamente não está dizendo, “ame o ego” e definitivamente não está dizendo “odeie o ego” porque, como você mencionou antes, quando você luta contra ele, parece “urraaaaaaaaaar”... parece rugir ainda mais. É importante ver que o ego não tem boas intenções no sentido que o propósito do ego é doença, fragmentação, culpa, pecado, morte - e o propósito do Espírito Santo é cura e despertar. E é importante começar a perceber a diferença entre os dois, porque até que possamos saber a diferença entre os dois então ainda achamos que o ego tem algo a nos oferecer. E enquanto acreditarmos que ele ainda tem algo a nos oferecer então ainda estaremos investindo no seu modo de pensar, e ainda nos sentiremos culpados, ainda sentiremos dor e separação.

Participante 3: Então o Curso fala muito do ego não porque ele seja real, mas porque a mente adormecida acredita que ele é real. E o tanto que ela acredita nele, é o tanto que ela tem de apego a ele. Então Jesus está dizendo, ‘É assim que ele funciona, é isso que tem que se procurar, é isso que está ocorrendo na mente que acredita no ego.’ E quando você consegue começar a ver o que ele é e reconhecê-lo pelo que é, então esta é a saída.

Participante 4: O ego não sabe muito. O ego não entende isso. É por isso que é quase impossível amar algo que não é amoroso e não te ama.

Participante 1: Sim, mas o ego não é a nossa personalidade?

Participante 4: Não. Sua personalidade é a sua personalidade, não é?

Orador: A personalidade, todas as nossas personalidades são diferentes. Algumas pessoas parecem ser agressivas ou extrovertidas, algumas pessoas parecem ser tímidas e reservadas. Todas as habilidades diferentes; algumas pessoas têm grandes habilidades mentais e outras parecem mais ternas e sensíveis. Quando você fala de personalidade há uma enorme variação. E essas personalidades parecem conflitar algumas vezes, também. Às vezes as pessoas pensam nelas como lisonjeiros, mas muitas vezes na coisa de marido e mulher ou namorado e namorada ou até [dentro] da família parece haver diferenças gritantes de personalidade e, de um certo modo, toda vez que há conflito não é o Espírito Santo que está envolvido, é o ego. Quero dizer há um fundamento no ego.

Basicamente o ser da personalidade é aquilo que o Curso chama de “auto-conceito do ser” com ‘s’ minúsculo ao invés do ‘S’ maiúsculo para o Cristo. [O “auto-conceito”] é parte de uma concepção que [foi feita] quando a separação pareceu ocorrer - a mente ficou com tanto medo desta luz que ela tentou fugir dela para dentro da escuridão tão distante o quanto ela podia... então ela começou a amontoar as crenças. Era tão escuro e tão aterrorizante; o pensamento que você poderia se separar do seu Criador, desconectar-se da sua Fonte - foi o pensamento mais aterrorizante concebível. Não era verdadeiro, em última instância, mas a mente acreditou nisso; foi aterrorizante. [Mas] instantaneamente o Espírito Santo foi dado como uma resposta. Então, agora nós temos uma mente que está acostumada com a Integridade e Completeza no Reino. Ela está acostumada à Integridade o tempo todo e agora ela tem dos sistemas de pensamento completamente irreconciliáveis - do Espírito Santo e do ego, dentro dela. Mas a mente estava acostumada à Integridade, e é intolerável tentar se agarrar a ambos os sistemas ao mesmo tempo. Então o que a mente fez é... o mundo foi inventado como uma tela de cinema. Você sabe que quando você vai ao cinema você vê a tela e todas as imagens diferentes... o mundo foi feito como uma tela e o ego disse, “Projete a divisão aí fora na tela e então você pode esquecer a divisão na mente, você pode ver a dualidade aí fora no mundo em vez da dualidade entre os sistemas de pensamento.” Então, basicamente uma vez que a mente adormeceu, ela vê um mundo de dualidade: masculino, feminino, bom, mau, certo, errado, quente, frio, rápido, lento, magricelo... Puxa!

Participante 3: Vítima, vitimizador.

Orador: Vítima, vitimizador. É parte da grande, gigantesca ilusão ótica. Em vez de olhar na mente e ver que eu tenho uma divisão na minha mente que tem que ser curada, o truque é ‘a divisão está aí fora no mundo’. E [agora] existem pessoas boas e existem pessoas más - como os antigos filmes de caubói; os mocinhos e os bandidos. E, portanto, assim que eu divido a Filiação, ou meus irmãos, em grupos e vejo o mundo da dualidade aí fora, então eu posso projetar e culpar e ter raiva dos vitimizadores e ter dó da vítima. O Curso está dizendo que é um truque, é uma fraude. Toda vez que você culpa um irmão, quando você culpa a Receita Federal ou culpa seus pais ou culpa o seu cônjuge ou culpa sua filha ou culpa o clima ou culpa o seu chefe ou seja lá o que for, você está tentando arremessar a culpa, você está tentando arremessar a culpa da indignidade que você sente sobre eles. Mas, realmente isso não resolve nada, não se livra do problema, porque quando você faz isso a mente também acredita que de alguma maneira [as projeções] vão voltar rastejando, e então ela começa a ficar realmente defensiva. De certo modo se você alguma vez se sentiu culpado ou com raiva de alguém e o atacou, e então você ficou com medo que ele desse o troco ou contasse aos seus amigos ou seja lá o que for. Assim que o ataque sai, então é como, ‘Puxa vida. O que foi que eu fiz?’ [Então você] realmente tem que ser defensivo.

Participante 2: Orgulho é ego?

Orador: Essa é uma questão muito boa porque muitas das mensagens que eu recebi quando eu estava crescendo foi ‘fique orgulhoso por isso, tenha orgulho disso, tenha orgulho disso.’ É como, bem, espera um pouco - o orgulho é bom ou ruim? Ou às vezes bom e às vezes ruim. E na página cento e três Jesus fala do ego e do uso que ele faz do mundo e do corpo e [orgulho é] uma das três principais coisas para o quê o ego faz uso do corpo. E de uma maneira bem sutil, a maneira que ele mantém a culpa é porque o orgulho é sempre baseado na forma. Há uma identificação com o corpo: ‘Tenho orgulho da minha herança étnica. Tenho orgulho de ser um Americano. Tenho orgulho do meu Cincinatti Reds (time de basebol). Tenho orgulho de ter tantas graduações. Status. Tenho orgulho da minha saúde.’ Você consegue ver que é tudo baseado na forma. E o motivo pelo qual o orgulho é tão sorrateiro é porque, como você disse que está na Bíblia. É assim que os caminhos do mundo são: maior, melhor, mais fama, riqueza, reconhecimento, a aceitação dos colegas, etc... É baseado no mundo porque é tudo baseado no externo. E Jesus vem e diz, “Seu valor é estabelecido por Deus. Nada do que você pensa ou diga ou faça é necessário para estabelecer o seu valor.” É tudo Pai Celestial que é a única base do nosso trabalho, e o orgulho é sempre aquilo em que o ego pode de se prender, “Você pode fazer um maior e melhor ser menor. Onde está o divertimento em alcançar o Céu? Apenas fazer um melhor e melhor e melhor ser menor e de algum jeito você fará um ser grande o bastante que será digno.” E isso é realmente uma armadilha. E então você tem as posses que você pensou que faria você feliz e então você tem os relacionamentos que você pensou que faria você feliz e você vê que é como que ‘Eu serei feliz quando...’ E o ego diz, “Continue fazendo parte o jogo. Busque, mas não ache. Apenas continue perseguindo.” E o orgulho é uma dessas coisas, é tão sorrateiro que você pode de um certo modo rodar e rodar e rodar e rodar num círculo, como um gato correndo atrás do próprio rabo, até que você finalmente pára.


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