|
A Auto Concepção
Esta transcrição foi tirada de um diálogo entre
Orador e um estudante de Um Curso em Milagres. Os tópicos da
discussão são o auto-conceito, vitimização
e a divisão do sujeito / objeto. Esta conversa também
faz uma referência geral à lição 80 do livro
de exercícios, “Que eu reconheça que os meus problemas
foram resolvidos.”
Estudante: Para mim, houve uma abertura quando senti que eu realmente
estava num fosso em minha vida. Fora o sentimento de desespero havia
uma disponibilidade para me abrir para algo mais. Parece que freqüentemente
é o mesmo caso com as pessoas. Enquanto as coisas parecem estar
caminhando suavemente o desejo de questionar ou olhar o que está
se passando não está lá, não há motivação
para isso. Mas quando as coisas obviamente saem totalmente do controle,
há uma prontidão maior e disponibilidade para dar uma
olhada e ver o que é possível.
Orador: De algum modo quando as coisas saíram do controle na
minha percepção, eu tenho um problema na percepção.
Não é realmente são (relativo à sanidade)
projetar os problemas, caos e conflitos do mundo em Deus. Como se Deus
soubesse disso, mas escolha não fazer nada quanto a isso. Qualquer
tentativa de fazer uma conexão entre Deus e o fragmentado mundo
fora do controle ainda é uma tentativa de fugir da responsabilidade
que eu tenho na minha própria mente pelo meu estado da mente.
A paz é uma escolha que eu posso fazer, mas quando escolho perceber
a mim mesmo como uma vítima ou como parte de um mundo fora do
controle, há uma distorção na minha percepção
que precisa de correção.
Estudante: O mundo nunca saiu fora do controle. Minha mente saiu! Vamos
falar sobre o conceito da vitimização e todas as formas
diferentes que isso toma e como o conceito realmente não é
possível exceto numa mente [adormecida] equivocada.
Orador: Até mesmo para ter um senso de vítima e vitimizador
você tem que ter dois.
Estudante: Lá vamos nós de novo!
Orador: Você tem que ter o sujeito / objeto para ter uma vítima
e um vitimizador. Como você disse antes quando você falou
um pouco da metafísica, convenientemente para mente que tem dois
sistemas de pensamento [medo-ego e Espírito Santo-amor] há
uma condição tão intolerável que a divisão
é projetada para fora. Portanto, o mundo serve o propósito
para reforçar isso a divisão está no mundo. Está
na tela enfumaçada, por assim dizer, está na projeção
- está na tela e não na minha mente que é onde
a concepção poderia ser vista como uma concepção.
Literalmente ela seria vista, então não há problema.
Algumas das primeiras experiências de ser impotente ou vitimizado
são pelos pais, que são apenas parte da minha concepção.
Eu armei isso para que eu possa perceber a mim mesmo tão vitimizado
como uma pessoa por uma outra pessoa maior.
Estudante: Pelo menos dependente. Eu acho que a dependência é
uma outra forma de vitimização. Eu armei isso para que
fisicamente, por exemplo, eu seja dependente dos meus pais para me prover
alimentos e roupas e abrigo como também necessidades emocionais.
Orador: Ao acreditar num ego, a escassez e a falta é então
projetada para fora sobre o mundo para que o mundo pareça um
lugar de escassez. Então, agora eu sou um sujeito [uma pessoa]
num mundo objetivo do meu lado de fora. Este é mundo de matar
ou ser morto, onde você tem que lutar por aquilo que você
tem e para manter a sua cabeça fora da água. O significado
que pode ser dado a isso pode ser que eu sou uma criancinha dependente
que morrerá a menos que eu obtenha comida e abrigo dados pela
minha mãe e meu pai.
Estudante: Eu sou indefeso, sozinho. Eu tenho que contar com os adultos
no mundo para tomar conta de mim.
Orador: Isto é uma concepção. Então você
poderia ter outras crianças, irmãos, como parte daquela
concepção. Meu irmão mais velho, minha irmã
mais nova. Há uma competição acontecendo aqui eu
pareço ser vitimizado. Em algum momento eu pareço ser
vitimizado e alguns momentos eu pareço estar representando o
papel de vitimizador, o provocador e aquele que atormenta. Então
você vai para escola e tem os professores. Os professores têm
regras. Agora eu tenho que sentar num certo assento num de se sentar
e fazer as coisas, começar e parar as atividades. Isto pode ser
percebido como uma batalha pelo controle. Ou igrejas com os ministros
e professores das escolas aos domingos. Esta concepção
de vítima e vitimizador dos outros surgem de muitas formas diferentes.
Se a pessoa parece ser um adulto, que é uma concepção,
ou uma criança que também é uma concepção.
Estudante: Essencialmente a mente está sempre tentando ver a
desigualdade. Então toda vez que há desigualdade, alguém
sempre vai ser dependente ou a vítima.
Orador: A mente equivocada sempre precisa da divisão no mundo
para ser a distração da divisão da mente. Ela não
quer ver isso. É simplesmente uma decisão. Nós
temos os militares e a polícia federal e as delegacias e quartéis.
Literalmente nós poderíamos falar sobre isso como um problema
de autoridade. Existem problemas de autoridade por todo o caminho com
qualquer um desses e basicamente existe um problema de autoridade com
Deus no sentido de que o verdadeiro ser, o verdadeiro espírito
único, é íntegro e completo. Ele é abstrato.
Acreditar que eu sou uma pessoa num mundo [a divisão sujeito
/ objeto] é literalmente negar a minha realidade e inventar algo
que não é real. A dor desta crença que eu poderia
me separar de Deus então fica encoberta por esta concepção
e esses conceitos do ser que é agora um substituto. É
um outro reino que agora foi inventado. O reino do tempo e espaço
e forma.
Estudante: A idéia da vitimização realmente depende
da crença na separação e todo o problema da autoridade.
E funcionou em toda essa idéia de querer ou precisar estar no
controle.
Orador: A crença que alguém realmente pode ser tratado
injustamente por uma outra pessoa, pelo mundo ou pela sociedade. Isto
foi armado [o mundo] para se ver aquela divisão e enfatizar aquela
diferença entre o sujeito e o objeto, que literalmente é
uma escolha na mente.
Estudante: Ok, então vamos trazer isso para ver como é
um tipo prático de domínio. Fale sobre a questão
de ser abusado quando criança por um pai.
Orador: Ok, mas antes de tudo, pelo que estamos conversando isso pode
ser percebido como um problema. Pode haver muita dor ou transtorno associado
com isso. A dor está vindo com aquela sensação
de ser vitimizado.
Estudante: A crença que aquilo foi, foi, foi... aquela interpretação
particular do ser vitimizado é de onde a dor brota.
Orador: Sim. Isto é uma concepção. Antes que você
possa ter uma crença que você foi vitimizado por um pai,
por assim dizer, primeiro vem a divisão do sujeito / objeto.
Você tem que acreditar que você é uma pessoa, que
você é um corpo ou está num corpo num mundo. Que
esta circunstância ocorreu e que não foi escolha sua. Não
havia decisão ou escolha envolvida nisto. Que isto aconteceu
com você como uma pessoa.
Estudante: E que algo fora da minha mente poderia me trazer dor e aflição
ou transtorno de qualquer tipo.
Orador: Se eu acredito que eu sou um corpo e estabeleço certas
divisas como divisas psicológicas e físicas eu até
mesmo posso dizer que tenho certos direito inalienáveis como
uma pessoa, e acredito que existem outras pessoas aí fora que
podem violar esses direitos, então eu estabeleci esta concepção
também. Eu acredito que existem coisas que podem invadir meu
espaço pessoas que há violações da minha
personalidade e que são contra a minha vontade.
Estudante: Então você está dizendo que se eu penso
que eu tenho qualquer direito pessoal relacionado a este corpo e como
ele é usado num relacionamento com outros corpos, que isto não
é nada mais do que uma concepção.
Orador: Exatamente. É uma invenção fictícia.
Então, alguém pode ter a ilusão de estar sendo
violado. Poderia ser algo que alguém poderia dizer que é
tão traumático quanto sendo físico ou verbal ou
sexualmente abusado até alguém fazendo cara feia para
você, ou ignorando ou não elogiando numa situação
em particular. Parece haver graus de rejeição ou de violação
ou vitimização ou qualquer que seja a palavra que você
escolhe para isto, quando de uma certa forma tudo está dentro
da concepção. A mente tem que acreditar que é aquela
concepção antes que isto possa acontecer. Existe uma organização
de pensamentos. Existe uma crença que há alguma coisa
fora de mim que pode tirar a paz de mim. Isto tem que ser questionado.
A concepção tem que ser questionada, tem que se dar um
passo para trás e ser visto como uma concepção.
Estudante: Então, a idéia de que eu tenho direitos sobre
o meu corpo é para mim como se ele estivesse no meu desejo de
estar no controle. E este desejo de estar no controle está no
medo de que eu não estou no controle.
Orador: Você acha que foi dado a você um tempo entre o nascimento
e a morte para escolher e fazer e ser como você gostaria que fosse.
É como se tivesse uma tela branca para pintura e um jogo de tintas
e dizer ‘ok, é seu - siga em frente!’. E então
você está pintando e se divertindo e então alguém
aparece e sem nenhum conhecimento começa a jogar tinta na sua
pintura! Ou puxar a tela e rasgar e despedaçar a tela. Ou quando
você está pintando um detalhe delicado que é muito
detalhado que você realmente quer que seja de um jeito certo e
alguém aparece e esbarra no seu braço e lambuza tudo.
Essas coisas parecem violações. E isto é uma metáfora
é claro, pois o que a assim chamada vida neste mundo parece ser
para uma mente que acredita que é uma concepção
ou um conceito. Ela diz, “Ei! Eu tenho a minha exclusividade.
Eu tenho a minha individualidade. Eu irei compartilhar algumas coisas
com você e nós podemos concordar em algumas coisas, mas
eu sempre serei uma pessoa separada.” De uma certa maneira, é
aí que o controle entra porque é percebido como se existissem
forças, situações externas e pessoas que estão
tirando ou erodindo o “eu” em que eu acredito. E até
que tudo seja visto como uma concepção inventada, não
pode haver paz.
Estudante: O horror de estar fora de controle é realmente o horror
de não ter mais esta concepção ou o auto-conceito
para se agarrar.
Orador: Sim. E qual é a alternativa se eu deixar esta concepção
partir, e aí? Existe uma voz na mente, o ego, aconselhando que
você será obliterado, você será aniquilado.
Você não será você, não vai restar
nada. Você será destruído. O espírito na
mente está fazendo lembrar que você será você.
Você é você. Mas, como você se mantém
como uma concepção você não sabe a magnitude
da sua própria identidade e sua própria realidade. Então,
o espírito está avisando, lembrando e aconselhando a mente
a deixar partir.
Estudante: Então enquanto o ego está dizendo, ‘Vai
ser a pior coisa que poderia acontecer’, o Espírito Santo
está dizendo, ‘Ah! Se você soubesse que experiência
maravilhosa será!’.
Orador: E, quais são as implicações disso? Não
há racismo no mundo. Oh! Que declaração. Não
há sexismo no mundo. Hum! Não há preconceito de
idade. Não há preconceito.
Estudante: Onde você estava? (rindo)
Orador: Sim, de que lugar você está falando? É claro
que, mais uma vez, estamos falando que todas essas desigualdades e problemas
são projetadas em ordem, assim a mente não terá
que olhar para a divisão do sujeito / objeto na mente. Estes
dois sistemas de pensamento irreconciliáveis na mente é
onde o problema está. Então eu posso ter uma cruzada contra
o racismo e sair por aí e tentar convencer outras pessoas, outros
corpos para começar a se moldar e pensar melhor. Aprovar leis.
Todas as controvérsias diferentes e problemas sociais…
no mundo parece ridículo dizer que não há problemas.
Estamos falando de utopia quando falamos que tudo isso é uma
concepção? Todas essas complexidades e camadas e níveis
de problemas dos níveis psíquicos interno até os
problemas internacionais, global. Com cada nível, todos foram
feitos para obscurecer a simplicidade de que a divisão está
na mente e não no mundo, que o problema está na mente
e não no mundo, e que o problema foi resolvido. Não existe
nenhum problema. Uma vez que a mente consegue recuar e ver o mundo como
nada mais que idéias, como nada mais que a própria concepção,
então num sentido ela vê que ela é o sonhador do
sonho. Não é um sonho, não é uma figura
no sonho batalhando contra outras figuras e forças de um sonho
louco e selvagem. Uma vez que isso é reconhecido, então
o sonho pode ser liberado. É um sonho muito feliz para o sonhador
quando ele vê que ele é o sonhador disso, que ele é
a causa disso.
Estudante: Porque assim ele vê que não há nada que
se passa no sonho que tenha importância.
Orador. Humhum. Em última instância nós nos deslocamos
para o tempo porque tendo dito, “ele vê que ele é
o sonhador do sonho ou a causa disso”... poderia se dizer mais
exatamente que o sonhador pode ver que ele era o sonhador...
Estudante: Está acabado e está feito, é passado.
Orador: Está acabado e feito. Que isto somente pareceu ter uma
existência no passado. Que não tem existência agora.
É aqui que realmente chegamos na coisa do tempo sobre o instante
não santo e o instante santo.
Estudante: Porque a única coisa que pode ter existência
agora é o que é real. Quando você reconhece que
o sonho não é real, então não pode ser alguma
coisa que é mantida no presente momento. Tem que ser algo que
foi do passado.
Orador: Todas aquelas linhas no curso sobre ‘o passado se foi’
começam a dar um estalo. Literalmente, a concepção
é passado, literalmente daquele ponto que falamos quando a concepção
é vista como uma concepção... a consciência
disso envolve a consciência de que a concepção é
passado.
|